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Branco
A história do retorno do Branco
Aconteceu uma coisa com a minha tia
Selma esta semana que eu achei interessante contar...
Ela tinha um gato chamado Branco, que
acabou virando Brancão com o tempo, porque era
um daqueles gatos "monstros", devia ter uns
oito quilos. Pois bem, esse gato ficou com ela mais
de dez anos e os dois tinham um carinho absurdo um pelo
outro, uma ligação que apenas pessoas
especiais conseguem ter com um gato, que geralmente
é mais reservado que um cachorro. E o Branco
não era um gato "dado" que se relacionava
bem com qualquer pessoa.
Por ser muito branco, praticamente albino,
ele acabou pegando câncer de pele e teve o focinho,
as orelhas e o rabo consumidos pela doença. De
tão grande e forte, ele continuou vivendo assim,
meio capenga, por pelo menos mais um ano e meio. Um
dia antes de morrer, ele estava no colo da minha tia,
quase desmaiado, e ela começou a conversar com
ele. Disse que era pra ele voltar. Usou exatamente essas
palavras:
"Eu gostaria que você voltasse branco de
novo, mas eu sei que esse é o motivo da sua doença,
por isso, volta como você quiser".
O gato olhou pra ela com os olhos arregalados por alguns
segundos e depois dormiu.
Já passou mais de um ano da morte
do Branco e, como sempre, em pouco tempo surgiu um novo
bichano, uma gatinha preta. Pois essa gatinha começou
a passar mal, passar mal e passar mal. Minha tia teve
que levá-la a um veterinário apenas para
constatar que ela não tinha nada. Nisso, o veterinário
empurrou um gato para ela, disse que a gata do vizinho
tinha dado cria e que ainda faltava um na ninhada, que
ninguém queria. Ela aceitou e foi até
o vizinho pegar o gato.
Chegando lá, viu que o gato (que por "coincidência"
seu dono deu o nome de Branco) era um filhote diferente:
sim, todo branco, mas menos em três partes: o
focinho, as orelhas e o rabo, que eram rajados de laranja.
Nunca vi um gato assim, todo branco e só com
essas partes, justamente as partes do câncer,
rajadas...
O gato está lá na casa
da minha tia e já fez amizade com a gatinha preta
e, claro, com minha tia também.
Ranma
ranma_of_aislin@yahoo.com.br
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