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DÁDIVA
Hoje pela manhã acordei com a
impressão de que eu ganharia uma gatinha preta.
Atrasado para ir a mais uma consulta em São Bernardo
do Campo, saía quase voando de casa, quando ouvi
um miado característico de filhote perto de minha
casa. Não reparei que o miado vinha de um pontinho
preto, ao longe, na calçada da movimentada rua
onde moro. Segui o som estridente e apelativo, daqueles
que protestam contra a falta ou clama pela presença
de alguém.
Mais próximo, pude ver: era um pontinho preto
bem peludinho, com quatro patas, um cabeção
e um rabinho fininho: tudo preto.
Atravessei a rua e me aproximei pela primeira vez de
uma gatinha. Eu costumo intuir como será a relação
que terei com algum ser pelos primeiros momentos do
encontro. Então me aproximei dela fitando seus
olhos verdes que me miravam inertes, mas vibrantes.
Ela não fugiu, nem se mostrou completamente receptiva,
atitude à altura da dignidade de gatos, que nascem
pobres e livres para escolher seus donos, ou melhor,
para ela escolher quem ela deixará acreditar
que será seu dono. Humanos...
Reparei em seu ventre se tinha pulgas, olhei as gengivas,
as patas, os genitais, os olhos e... dei boas vindas
à esta gatinha que agora aquece meu pé
direito. Quer dizer, eu acredito que ela está
aquecendo meu pé. Humanos são tão
inocentes... Na verdade, ela sabe que sou eu quem está
aquecendo suas costas.
Pedi ao Cósmico que me inspire a dar nome a ela.
Essa inspiração tem momento certo! Assim
como há algum tempo atrás eu pedi ao
Cósmico que trouxesse uma gata preta para mim,
o seu nome também está a caminho.
Felizmente ela já está vermifugada, tem
comida, banheiro, água, carinho, educador e casa.
Estou muito feliz. Há muito tempo que eu quero
receber esta dádiva. Aliás, o nome dela
é Dádiva! Obrigado, Cósmico. Às
15h04m, em Santo André, SP, no dia 20/02/2004,
ela foi nomeada Dádiva Nova.
Everton
astralux@uol.com.br
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