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Número de registro
Este fato ocorreu comigo num domingo
e resolvi repassar essa incrível história
a vocês.
Fui dar uma volta no domingo pela manhã com meu
cãozinho Goofy, que anda meio adoentado e me
deixando muito triste.
Encontrei um senhor de muita idade que possui um cão
maltês muito bonitinho e bem cuidado. Como sempre
acontece, o cão é parecido com o dono,
que possui os mesmos cabelos brancos que seu cãozinho.
Como todos os "cachorreiros" do bairro se
conhecem, cumprimentei-o e ele pediu que eu me sentasse
no muro do edifício onde mora para conversarmos
um pouco.
Ele me disse, rindo: “Percebi que quem resolve
para onde vocês devem ir é o seu cachorrinho”.
Dei risada e respondi: “Sem dúvida, ele
manda em mim e em todos lá em casa, mas nós
adoramos ele mesmo assim”.
Ele concordou e disse que iria me contar uma história
dele e seu cão que até hoje ele não
compreendia, e que havia ocorrido há dez anos.
Conou-me que era judeu polonês, que ficou prisioneiro
no campo de concentração de Aushwitz e
que foi tatuado com um número no braço,
o qual me mostrou.
O homem começou a chorar e disse que seu cão
era tão especial e que trazia tantas alegrias
para seu coração sofrido, que nem mesmo
os filhos e netos proporcionavam essa sensação
para ele. E continuou a chorar.
A esta altura dos acontecimentos, eu não estava
entendendo nada e fiquei preocupada com a saúde
do velho que estava a minha frente. Foi aí que
ele se conteve e me explicou.
Contou que quando foi buscar o registro de pedigree
de seu cão, olhou pra o documento e quase caiu
no chão, e foi tomado por um choro convulsivo
que não conseguia controlar.
Disse-me que todos a sua volta ficaram muito assustados
e sem entender nada.
Acontece que o número do registro do cãozinho
era o mesmo número que esse senhor carrega em
seu braço, feito no campo de concentração.
Ele virou-se para mim e me perguntou: “Qual será
a explicação para isso, que até
hoje eu não sei?”
Eu sorri para ele muito emocionada, como estou agora
ao escrever esta história, e respondi: “São
espíritos que devem estar destinados a ficarem
juntos, o senhor e seu cãozinho”.
Ana Lukower
luko.a@ig.com.br
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