Voltar para a home
Quem Somos Os Celtas Eisteddfod - Artes Ambientalismo Eventos Contato
Druidismo Mitos e Lendas Ensaios e Artigos Terra Brasilis Bem Estar Animal


Os Druidas históricos

Filósofos. Poetas. Sacerdotes. Legisladores. Conselheiros. Historiadores. Magos. Estas são algumas das palavras usadas pelos escritores clássicos como Políbio, Plínio o Velho, Tito Lívio e Estrabão, que travaram contato com os druidas e as druidesas da Grã-Bretanha, da Gália (atual França) e da Irlanda. Florescendo nas sociedades celtas dos séculos que antecederam a era cristã, os druidas são um fenômeno cultural exclusivamente celta, mas assemelham-se em suas funções aos xamãs da Sibéria e de outras culturas, como a dos nativos americanos. Isto é reforçado pelos traços mais marcantes da espiritualidade dos druidas: uma profunda integração com o meio ambiente; a percepção de que a Natureza é viva e sagrada; o reconhecimento dos espíritos de todas as coisas (animismo); e a crença de que esse espírito é imortal. Muitos desses elementos são encontrados em tradições xamânicas ao redor do planeta, nas mais diferentes culturas pagãs. Como escreve Leslie Jones em Druid, Shaman, Priest, "se existiram xamãs na sociedade celta, estes eram os druidas."


A importância dos druidas na sociedade celta era tal que deles dependiam as ações e decisões dos reis e rainhas. Oriundos de diversas camadas sociais, jovens celtas de ambos os sexos eram enviados a diversos colégios druídicos – o mais famoso deles na Ilha de Môn, atual Ilha de Anglesey - para serem instruídos pelos druidas mais experientes. Eram muitos anos de aprendizado, após os quais os druidas deveriam ser capazes de costurar acordos de paz entre tribos celtas rivais, julgar disputas pessoais e tribais, transmitir oralmente as lendas e a história de seu povo e valer-se de suas habilidades poéticas para enaltecer seus reis e heróis. Sua autoridade era fruto de sua profunda sabedoria. Eram grandes conhecedores das propriedades curativas das plantas, zelavam pela preservação do meio ambiente e aconselhavam seus líderes em momentos de crise. Um desses momentos foi a invasão da Gália pelas legiões romanas. Ciente do poder que os druidas exerciam na sociedade celta, o líder romano Júlio César, em sua luta para conquistar a Gália, sabia que qualquer conquista só seria definitiva se os druidas fossem eliminados. Ele promoveu então violenta perseguição aos druidas, que culminou com o massacre de homens, mulheres e crianças na ilha de Môn, no litoral do País de Gales – um centro de ensino druídico. Esse foi um duro golpe para o druidismo e para toda a cultura celta, agora quase totalmente submetida ao domínio imperialista de Roma.


É somente na Irlanda e no norte do País de Gales – territórios jamais conquistados pelas legiões romanas – que o druidismo permaneceu vivo. Graças aos textos oriundos dessas duas regiões, podemos hoje contrapor as informações contidas nos textos clássicos aos usos e costumes dos druidas preservados através de diversas lendas e contos míticos.


Desses textos, percebemos que o druidismo não é só uma espiritualidade: é uma filosofia de vida, que nos traz respostas pontuais a questões prementes do mundo moderno, como a igualdade entre os sexos (característica marcante da sociedade celta) e o respeito e a reintegração do ser humano com a Natureza.


Quando o cristianismo chegou à Irlanda, logo se fundiu ao druidismo que lá ainda existia. O resultado foi o chamado Cristianismo Celta – mais místico, mais profundo e mais filosófico do que o cristianismo de Roma. Na Idade Média, contudo, o poder e a intolerância dos papas não pôde mais suportar as diferenças e a independência do cristianismo irlandês. Foi imposto então, através da força, o cristianismo ortodoxo romano, que sufocou quase que por completo a ancestral sabedoria dos druidas celtas.
Contudo, as boas idéias, aquelas que calam à nossa alma, custam a morrer. Séculos depois, já na Idade Moderna, quando os estudos e as descobertas sobre os druidas e a cultura celta começaram a aflorar das novas traduções dos antigos manuscritos da Irlanda e do País de Gales, o druidismo ganhou uma nova oportunidade. no século XVIII, e a velha sabedoria druídica renasceu para uma nova era, num processo contínuo de amadurecimento e atualização. Atravessando esse processo, o druidismo não desapareceu com a chegada de Roma – está vivo, forte e pulsante, e é hoje a alternativa espiritual de milhares de pessoas ao redor do globo – inclusive no Brasil.

Claudio Crow Quintino


Druidismo Brasil - Caer Piratininga - Todos os direitos reservados. 2007 ®.