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Pós Morte no
Druidismo
Umas das perguntas que mais ouço
ao informar que minha religião é o druidismo
é "para vocês, o que acontece depois
da morte?". Me parece que a maioria das pessoas
têm uma religião somente para "melhorar
a sua morte", ou para ter garantias de consolo
e perdão pelos seus erros. No druidismo, não
é isso que nos motiva. Nossa religião
não serve para essas coisas, ao contrário,
serve para "melhorar nossas vidas", para nos
fazer perceber que somos responsáveis pelos nossos
atos e, portanto, nosso destino. Em nossa crença
não há um deus 100% bom para nos perdoar
eternamente, o que pode induzir o indivíduo a
errar eternamente, afinal, sempre terá o perdão.
Se erramos, receberemos as conseqüências
desse erro.
Em nossa crença não existe
um deus 100% mau para nos induzir ao mal, ao erro. Somos
os únicos responsáveis pelo que nos acontece,
tanto as coisas ruins, como as coisas boas. Estamos
sujeitos somente à lei da ação
e reação, e esta lei opera no aqui e no
agora, não depois de nossa morte. Não
somos marionetes dos deuses ou espíritos ruins.
Nossos deuses são nossos ancestrais falecidos,
são os espíritos da Natureza, e também
são seres poderosos e puramente espirituais,
e com qualquer uma dessas deidades não existe
a relação de dominância, apenas
de respeito e honra. Nossos deuses são seres
com os quais podemos contar quando precisamos de proteção,
mas se agirmos desonrosamente (conosco mesmos ou com
os outros seres nossos irmãos), eles não
hesitarão em nos dar as costas e deixar que soframos
as conseqüências de nossos atos.
Sobre a pergunta sobre o que acontece
depois da morte, costumo responder baseada no que os
celtas e seus druidas acreditavam: Para os celtas, a
alma era imortal e podia (ou não) viver muitas
vidas. Imperava o livre-arbítrio, e não
haviam recompensas ou punições como nas
religiões modernas. No entanto, havia o efeito
da consciência de cada um, baseada na vida com
Honra. O livre-arbítrio possibilitava à
alma celta a opção de ir viver no Outro
Mundo ao lado de seus ancestrais e seus deuses para
sempre, ou voltar ao nosso mundo, não para cumprir
alguma tarefa, ou pagar alguma dívida, mas para
viver algo que ainda não havia sido vivido, para
experimentar mais um pouco da vida material (que não
era negativa e nem inferior à espiritual, apenas
diferente).
A alma, no druidismo, não é
impulsionada pela necessidade de evoluir ou de pagar
pecados, é impulsionada simplesmente pelo desejo.
Para os celtas, voltar a habitar um
corpo não era uma necessidade (e nem uma obrigação
para evoluir – não havia o conceito de
evolução espiritual para eles), mas sim,
uma opção, e as condições
(onde, quando e como) eram determinadas por afinidades
e necessidades de cada alma.
Importante ressaltar que as almas humanas
não eram vistas como superiores às almas
dos animais e plantas. Em alguns momentos, as almas
humanas eram vistas até mesmo inferiores. Assim
ainda é visto e aceito pelos druidas modernos.
No druidismo não existe o especismo (preconceito
entre espécies) e os animais e vegetais são
vistos como nossos irmãos e jamais servos ou
inferiores numa hierarquia. Para nós, druidas,
não existe hierarquia entre as formas de vida,
nem agora, nem depois da morte.
"A morte nada mais é
do que um local onde as almas se detêm apenas
o suficiente para serem curadas com fumaças purificantes,
abanadas pelas asas brancas dos ventos sagrados, até
se tornarem mais brancas do que os cisnes das lendas,
mais brancas do que as gaivotas das ondas, (...). a
morte não é esquecimento: é uma
jornada pela purificação, pela cura e
pela transformação. Nós encontraremos
novamente os nossos entes amados. Essa é a lei
da existência".
(BDO / Carmina Gadellica)
(para saber mais, consulte o tópico "A
visão de renascimento no druidismo")
Andréa Éire
Nemeton Tabebuya
andrea.eire@druidismo.com.br
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