Voltar para a home
Quem Somos Os Celtas Eisteddfod - Artes Ambientalismo Eventos Contato
Druidismo Mitos e Lendas Ensaios e Artigos Terra Brasilis Bem Estar Animal


Pós Morte no Druidismo

Umas das perguntas que mais ouço ao informar que minha religião é o druidismo é "para vocês, o que acontece depois da morte?". Me parece que a maioria das pessoas têm uma religião somente para "melhorar a sua morte", ou para ter garantias de consolo e perdão pelos seus erros. No druidismo, não é isso que nos motiva. Nossa religião não serve para essas coisas, ao contrário, serve para "melhorar nossas vidas", para nos fazer perceber que somos responsáveis pelos nossos atos e, portanto, nosso destino. Em nossa crença não há um deus 100% bom para nos perdoar eternamente, o que pode induzir o indivíduo a errar eternamente, afinal, sempre terá o perdão. Se erramos, receberemos as  conseqüências desse erro.

Em nossa crença não existe um deus 100% mau para nos induzir ao mal, ao erro. Somos os únicos responsáveis pelo que nos acontece, tanto as coisas ruins, como as coisas boas. Estamos sujeitos somente à lei da ação e reação, e esta lei opera no aqui e no agora, não depois de nossa morte. Não somos marionetes dos deuses ou espíritos ruins. Nossos deuses são nossos ancestrais falecidos, são os espíritos da Natureza, e também são seres poderosos e puramente espirituais, e com qualquer uma dessas deidades não existe a relação de dominância, apenas de respeito e honra. Nossos deuses são seres com os quais podemos contar quando precisamos de proteção, mas se agirmos desonrosamente (conosco mesmos ou com os outros seres nossos irmãos), eles não hesitarão em nos dar as costas e deixar que soframos as conseqüências de nossos atos.

Sobre a pergunta sobre o que acontece depois da morte, costumo responder baseada no que os celtas e seus druidas acreditavam: Para os celtas, a alma era imortal e podia (ou não) viver muitas vidas. Imperava o livre-arbítrio, e não haviam recompensas ou punições como nas religiões modernas. No entanto, havia o efeito da consciência de cada um, baseada na vida com Honra. O livre-arbítrio possibilitava à alma celta a opção de ir viver no Outro Mundo ao lado de seus ancestrais e seus deuses para sempre, ou voltar ao nosso mundo, não para cumprir alguma tarefa, ou pagar alguma dívida, mas para viver algo que ainda não havia sido vivido, para experimentar mais um pouco da vida material (que não era negativa e nem inferior à espiritual, apenas diferente).

A alma, no druidismo, não é impulsionada pela necessidade de evoluir ou de pagar pecados, é impulsionada simplesmente pelo desejo.

Para os celtas, voltar a habitar um corpo não era uma necessidade (e nem uma obrigação para evoluir – não havia o conceito de evolução espiritual para eles), mas sim, uma opção, e as condições (onde, quando e como) eram determinadas por afinidades e necessidades de cada alma.

Importante ressaltar que as almas humanas não eram vistas como superiores às almas dos animais e plantas. Em alguns momentos, as almas humanas eram vistas até mesmo inferiores. Assim ainda é visto e aceito pelos druidas modernos. No druidismo não existe o especismo (preconceito entre espécies) e os animais e vegetais são vistos como nossos irmãos e jamais servos ou inferiores numa hierarquia. Para nós, druidas, não existe hierarquia entre as formas de vida, nem agora, nem depois da morte.

"A morte nada mais é do que um local onde as almas se detêm apenas o suficiente para serem curadas com fumaças purificantes, abanadas pelas asas brancas dos ventos sagrados, até se tornarem mais brancas do que os cisnes das lendas, mais brancas do que as gaivotas das ondas, (...). a morte não é esquecimento: é uma jornada pela purificação, pela cura e pela transformação. Nós encontraremos novamente os nossos entes amados. Essa é a lei da existência".

(BDO / Carmina Gadellica)

(para saber mais, consulte o tópico "A visão de renascimento no druidismo")

Andréa Éire
Nemeton Tabebuya
andrea.eire@druidismo.com.br


Druidismo Brasil - Caer Piratininga - Todos os direitos reservados. 2007 ®.