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Sobre a Honra aos Ancestrais e
aos Espíritos Locais
Sobre os ancestrais, a importância de honrá-los no druidismo vem do óbvio: sem eles não estaríamos aqui. Trabalhar a ancestralidade é trabalhar nossas raízes. Costumo nos comparar com as árvores: sem raízes não temos sustentação e, igualmente importante, não temos alimento. Assim, no druidismo, trabalhamos 3 tipos de ancestralidade: a sangüínea, a espiritual (que são os druidas que trilharam o caminho antes de nós) e a do local (aqueles que outrora habitaram o local que agora habitamos, que moldaram o ambiente de onde tiramos nosso sustento).
Por isso, no druidismo é importante conhecer as origens da nossa família e suas histórias, por mais simples que sejam. Também é importante estudarmos as origens desse caminho espiritual que seguimos e as pessoas que o trilharam, bem como praticar essa espiritualidade diariamente de forma natural, em cada momento e situação do dia-a-dia. Além disso, estudamos o povo que vivia no local que vivemos agora, suas crenças e costumes.
Sobre os espíritos do local, eles são os guardiões do lugar, eles nos protegem, inspiram e guiam. São os espíritos de seres visíveis e invisíveis, espíritos das árvores de um bosque ou das plantas da casa, como também seres invisíveis, entidades, elementais (espíritos dos ventos, da chuva, do ar, etc).
Temos forte ligação com os lugares: é o lugar que habitamos que nos dá sustento. É da terra que habitamos que tiramos nosso alimento e água, é a casa que habitamos que nos dá abrigo. Por tudo isso, honramos o espírito do local, desde o espírito de nosso lar até o de nossa cidade e arredores, de onde vem nossa comida.
Para honrá-los, existem várias práticas, uma delas é através de um altar. Você pode fazer um altar para os ancestrais e outro para os espíritos do local, mas também pode ter apenas um altar. Eu, particularmente, trabalho os diferentes temas no meu altar pessoal mesmo.
O altar pode ser em casa ou no jardim. No neo-druidismo, o altar costuma ser ladeado por 2 velas e possui outros objetos relevantes para cada um: pedras, pinhas, penas, conchas, folhas, fotos, imagens de deuses e animais totêmicos, moedas, instrumentos mágicos, fotos de ancestrais ou representaçõe deles, etc. É importante que haja uma representação de cada elemento: cálice com água, pote com terra, incenso e outra vela, que muitros deixam queimar sem parar, outros acedem apenas nas ocasiões em que estão usando o altar.
Como oferendas usa-se muito flores, frutas, biscoitos de uma fornada que você mesmo assou, pão, trigo, milho e outros grãos. Trabalhar com o altar é bem simples e o objetivo é "dar um tempo" do dia-a-dia para comtemplar a simbologia dele e honrar os seres que estão nele representados. Também serve para criar uma rotina de comunicação, uma interação, estimular uma convivência pacífica para que os guardiões do local nos aceitem e protejam. Você pode meditar diante do altar também, fazer orações e tentar se comunicar com deuses, ancestrais e espíritos para obter inspiração e ajuda, mas o básico para todo dia é acender as velas e ficar em silêncio diante do altar por um tempo e ao final fazer uma oferenda.
Poderíamos estender este artigo sobre a natureza dos deuses, mas por ora basta dizer que o conceito atual de "deuses/deusas" em muitos casos não se encaixa à maioria das deidades celtas, que devem ser vistas como espíritos - do local, ou da natureza, ou de ofícios, não importa. A questão é que, para muitas pessoas, um espírito seria inferior a um deus ou uma deusa. Não é assim. Um deus ou deusa. É um espírito.
Andréa Éire
Caer Piratininga
andrea.eire@druidismo.com.br |