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Os Ritos

Aqui vamos apresentar um resumo dos 8 festivais da roda do ano druídica mencionados anteriormente. Damos sugestões da decoração para o altar e também da bebida e da comida a serem consumidas no banquete ritual. Essa decoração sugerida é usada como complemento aos instrumentos usados em todos os rituais, a saber: caldeirão, espada ou punhal, imagens de deidades, cálice de água, pote de terra, incenso, velas, tambores, cristais, etc.

Samhain (do gaélico "fim do verão")
31 de Outubro

Samhain é o ano-novo dos druidas, um festival de tanta força que perdura até hoje nas datas cristãs "dia de todos os santos" e "finados", como também na festa popular do halloween. Esse festival é associado ao Dagda e à Morrighan, que, num Samhain, fazem amor em um vau, onde estavam os corpos dos mortos de uma batalha que estaria por vir. O principal tema desse festival é o agradecimento, a honra e a conexão com nossos ancestrais, desde os entes queridos que não estão mais entre nós, até aqueles que não sabemos mais os nomes, inclusive os deuses. É o momento em que o Outro Mundo fica mais acessível, a fronteira entre os mundos fica pouco definida e a data é propícia para se comunicar com os espíritos em busca de inspiração, cura e bênçãos. Sobretudo, é hora de honrar os mortos, agradecer a eles pelo dom mais precioso que nos deram, nossas vidas. Podemos materializar esse agradecimento através de oferendas que são queimadas nas chamas da fogueira ritual ou revendo velhos álbuns de família, desenhando nossa árvore genealógica, convidando os mais velhos da família a contar histórias de suas vidas. É costume se deixar acesa uma vela numa das janelas da casa para mostrar aos ancestrais que eles são bem vindos. Ritual introspectivo, silencioso, respeitoso, celebrado à noite.
Bebida e comida para o rito: vinho tinto / pão caseiro
Decoração do altar: maçãs, abóboras, romãs, fotos e objetos dos ancestrais.

Solstício de Inverno - Alban Arthan ("luz do urso" - uma alusão ao animal que hiberna)
21 de dezembro no Hemisfério Norte
21 de junho no Hemisfério Sul

Esta é a noite longa do ano, momento de honrar as forças da escuridão e do inverno. É hora de deixar ir tudo o que está morrendo ou terminando, é o período de escuridão e do reconhecimento da alma, de intimidade. Propício para se meditar sobre o ciclo anterior, fazer um "balanço" espiritual. Bom momento para queimar no fogo ritual tudo aquilo que não queremos mais em nossas vidas. Ritual de tranqüilidade, meditativo, celebrado à noite, com poucas velas acesas.
Bebida e comida para o rito: vinho quente / pão ou bolo
Decoração do altar: ervas e folhas secas, galhos secos, pinhas, e outros elementos que lembrem o inverno.

Imbolc (do gaélico "lactação das ovelhas")
2 de fevereiro

É quando as ovelhas dão à luz e produzem leite para seus bebês na Irlanda. É momento de celebrar a renovação, o nascimento. Celebra-se o poder de dar à luz, o poder das mães. Muitas velas são acesas no local do rito, simbolizando a vida que nasce. Este é o festival dedicado à deusa Brighid, relacionada à lactação - pois possui uma vaca que dá leite eternamente - e também ao fogo, o fogo tríplice que transforma, inspira e cura. Também um ótimo momento para realizar celebrações ligadas ao lar e à família, uma vez que Brighid também é relacionada ao fogo da casa, a lareira (até hoje, na Irlanda, a lareira é acesa com uma prece à Santa Brígida, cristianização dessa deusa). Ritual suave e alegre, celebrado preferencialmente à noite para que o efeito das velas tenha maior impacto.
Bebida e comida para o rito: leite / pão ou bolo à base de leite
Decoração do altar: uma imagem de Brighid, velas coloridas, cruzes de Brighid, caldeirão com leite.

Equinócio de Primavera - Alban Eilir ("luz da regeneração")
21 de março no Hemisfério Norte
21 de setembro no Hemisfério Sul

É o renascer da Natureza, depois do recolhimento durante o inverno e a escuridão. Momento de celebrar a vida já renovada, exuberante. Período de equilíbrio, o dia é igual à noite, mas voltado para o crescimento, pois o verão se aproxima e o Sol se fortalece. Período de bênçãos ao solo fértil, de pedidos de harmonia e tolerância. Hora de compreender o que falta para nossa vida estar equilibrada entre a luz e a escuridão de forma que se propicie o crescimento e amadurecimento. Um pouco da terra do local é consagrada e entregue a cada um dos presentes. Ritual alegre, que pode ser celebrado tanto de noite como de dia, melhor ainda se for ao amanhecer.
Bebida e comida para o rito: chá de flores / bolos doces
Decoração do altar: muitas flores, pétalas, botões de rosas e ovos pintados e decorados.

Beltane (do gaélico "fogo de bel")
1º de maio

Festival dedicado ao deus Belenus, deus solar. No tempo dos celtas, eram acendidas grandes fogueiras e eles passavam o gado entre elas para purificação. Esse método pode adaptado e os participantes do ritrual podem passar entre as fogueiras ou archotes, caso não haja espaço no local. É também o momento da união dos amantes, um ritual de amor, que celebra esse sentimento em todos os aspectos de nossa vida. Hora de celebrar a união que gera, que propicia fertilidade seja para gerar filhos ou criatividade para gerar um novo projeto. Nesse dia, buscamos pelas bênçãos da criatividade em nossas vidas. Ritual bem alegre, solto, com danças, celebrado de dia.
Bebida e comida para o rito: vinho / bolo de mel
Decoração do altar: flores de cores bem vivas, fitas coloridas, colares, guirlandas.

Solstício de Verão - Alban Hefin ("luz do verão")
21 de junho no Hemisfério Norte
21 de dezembro no Hemisfério Sul

Celebração do ápice do Sol, apogeu da fertilidade na Natureza. É o dia mais longo do ano, quando honramos as forças da luz, do calor e do verão. A Terra pulsa com vida, energia e a Natureza está exuberante. É hora de se expressar livremente, é o período de luz e expansão da alma, de comunicação. Propício para a ação, para "ir à luta" e não deixar nada pendente. Ritual bem ativo, de energia expansiva, celebrado de dia, melhor ainda se perto do meio-dia, o apogeu do Sol.
Bebida e comida para o rito: suco cítrico gelado / fruta suculenta
Decoração do altar: frutas cítricas, flores vermelhas e alaranjadas, enfeites variados de cores e aspectos solares.

Lughnasadh (do gaélico "festival de Lugh")
1º de agosto

Essa é uma celebração da colheita. É o festival criado por Lugh para homenagear sua mãe adotiva Tailtiu, que era uma deusa relacionada às forças da Terra, justamente quem produz a colheita. Foi ela quem adotou Lugh depois dele ter sido resgatado do mar ainda bebê, por Mannanann MacLir. Lughnasadh é também associado ao divertimento e competições em feiras, onde grãos e frutos eram negociadas. É a festa do pão, do trigo, de vários alimentos que simbolizam a fartura. É tempo de honrar Tailtiu com oferendas à terra de onde veio a colheita. Compartilhar também é necessário, seja contando suas experiências ao grupo, seja fazendo doações a quem necessita. Momento de colher e agradecer pela colheita realizada em nossas vidas. Ritual longo e lento, celebrado à noite.
Bebida e comida para o rito: cerveja de trigo / pão com grãos
Decoração do altar: hastes de trigo, aveia, grãos diversos, ou outras coisas que simbolizem a colheita.

Equinócio de Outono - Alban Elfed ("luz do outono")
21 de setembro no Hemisfério Norte
21 de março no Hemisfério Sul

A luz do dia e da noite se equilibram mais uma vez, mas diferente da primavera, é um equiíbrio que norteia para o recolhimento que virá. Momento de se preparar para o período de introspecção e avaliar a colheita pessoal, decidindo o que será consumido e o que será guardado como sementes para serem plantadas no ciclo seguinte. É reconhecer o que foi aprendido e determinar o modo como usaremos esse aprendizado. O equilíbrio dessa data, diante da iminência da chegada dos dias mais frios, remete à responsabilidade que temos em relação à nossa colheita pessoal e o que vamos fazer com ela. Ritual calmo e meditativo, celebrado à noite, melhor ainda se for ao entardecer.
Bebida e comida para o rito: cerveja / pão ou bolo
Decoração do altar: muitas folhas secas cobrindo todo o altar, grãos de milho, sementes secas.

nota: Samhain e Beltane são momentos "complementares". Em Beltane celebra-se a vida, a fertilidade, em Samhain celebra-se a morte e o renascimento. Quando alguém morre, está nascendo no Outro Mundo; quando alguém nasce, está morrendo no Outro Mundo. Tanto quem celebra pelo Norte quanto quem celebra pelo Sul estará celebrando um momento de transição (seja da vida para a morte ou da morte para a vida), o que popularmente é chamado de "o momento em que o véu entre os mundos se torna mais tênue" ou "o momento em que os portais se abrem". Ambos os festivais estão relacionados ao momento que não é nem vida e nem morte, mas sim a transição entre esses dois "estados".

Andréa Éire
Nemeton Tabebuya
Gorsedd Caer Piratininga
andrea.eire@druidismo.com.br


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