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Tríades
Uma coleção de tríades
- leis, costumes e sabedoria tradicional do povo celta
pré-cristão do que hoje é a Escócia,
Irlanda e País de Gales
Por John F. Wright
©1995 - John F. Wright
© 2002 - Versão para o português:
Ricardo Soares Silva (Endovelicon), a partir do texto
original no site do Rowanhold
Bardic Circle, para uso da Ordem Druídica
do Brasil / ODB. Reprodução neste site
autorizada pelo tradutor.
I -DECLARAÇÃO
DE PROPÓSITO
II - O LUGAR DA LEI, SABEDORIA E CONHECIMENTO
NA CULTURA GAÉLICA/CÉLTICA
III - OS CELTAS COMO POVO TRIBAL
IV - FILOSOFIA DOS CELTAS COMO POVO TRIBAL
EM COMPARAÇÃO COM A FILOSOFIA E OS FILÓSOFOS
GREGOS
V - RAZÕES E CONSIDERAÇÕES
PARA DESTACAR OS GAELS NA PESQUISA SOBRE OS CELTAS
VI - ENGENHARIA REVERSA DAS TRÍADES:
TRAZENDO-AS DE VOLTA A SUAS RAÍZES
VII - LÓGICA TRINÁRIA
UMA COLETÂNEA GERAL
A RESPEITO DA EXCELÊNCIA
A RESPEITO DA PESSOA CONSCENCIOSA
A RESPEITO DAS RECOMPENSAS DA
EXCELÊNCIA
AS ORIGENS DOS MALES COMETIDOS
A RESPEITO DOS QUE SE PERDEM
A RECOMPENSA DOS QUE SE PERDEM
A RESPEITO DE RIQUEZA E POBREZA
SABEDORIA MISTA
A RESPEITO DAS ESTRUTURAS CIVIS A ORDEM
SOCIAL
AS BASES DA SOCIEDADE
AS PRAGAS DA SOCIEDADE
A RESPEITO DA TERRA E DO CULTIVO
A RESPEITO DO CIDADÃO RESPEITÁVEL
A RESPEITO DO CIDADÃO NOCIVO
A RESPEITO DE LEGADOS
CONSELHOS QUE ORIENTAM
MÚLTIPLAS BÊNÇÃOS
E BENEFICÊNCIAS
A RESPEITO DA ETIQUETA
REFERENTE AO DOMICÍLIO A
RESPEITO DO BOM LAR
A RESPEITO DO MAU LAR
A RESPEITO DOS FILÍ; POIS TODOS
SÃO CAPAZES DE MEDIAR OS DEUSES
A RESPEITO DE CONTRATOS E ACORDOS
CONSELHOS PRÁTICOS A RESPEITO
DA BOA E MÁ SAÚDE
CONSELHOS DE PRUDÊNCIA
A RESPEITO DA ORDEM NATURAL
A RESPEITO DA NATUREZA HUMANA
A RESPEITO DA AÇÃO
A RESPEITO DO CONHECIMENTO
A RESPEITO DA SABEDORIA
A RESPEITO DOS SÁBIOS
A RESPEITO DO TOLO E SUA TOLICE
A RESPEITO DA SABEDORIA APLICADA
A RESPEITO DAS AMBIÇÕES
E DOS CAMINHOS DO SUCESSO
A RESPEITO DA AMIZADE
A RESPEITO DA FELICIDADE
A RESPEITO DA FILOSOFIA
A RESPEITO DOS GUERREIROS
A RESPEITO DO VERDADEIRO HUMANO (52)
A RESPEITO DA RELIGIÃO
I -DECLARAÇÃO
DE PROPÓSITO
Aqueles que estudam os muitos povos conhecidos coletivamente
como Celtas devem às vezes reconhecer a importância
que o número "3" tinha entre eles.
Tanto nas questões mais insignificantes quanto
nas mais arcanas, o significado do fato de haver três
partes em cada coisa não era perdido de vista.
Mesmo as leis e sabedoria dos Celtas eram expressas
em uma forma tríplice. Esta forma de verso era
chamada triádica, um verso nesta forma era uma
Tríade. Pode ter sido apenas por convenção
literária; ou, como o autor acredita, isto é
a base de outra forma de lógica, chamada lógica
trinária. Deixarei isto para mais adiante.
O que se segue é um corpo de leis, costumes
e sabedoria tradicional mantido por nossos ancestrais
Celtas. Elas vieram dos Gael (gaélicos) e dos
Cymry (galeses), embora os gaélicos tenham sido
mais extensamente pesquisados. Muitos destes versos
foram compilados por W. Faraday no livro "DRUIDIC
TRIADS - The Wisdom of the Cymry", publicado pela
Sure Fire Press; estes, no entanto estão numa
forma mais cristianizada. Àqueles compilados
no referido livro, muitos outros foram acrescentados.
Estes vieram de várias fontes. Algumas delas
são obras conhecidas de grande antiguidade, como
as Tríades Galesas; outras vieram de um livro
de poesia Irlandesa, e outras do Colégio dos
Bardos Galeses (1); algumas poucas foram reconstituídas
por pesquisadores (2).
O propósito desta obra é restabelecer
um corpo abrangente das Tríades. Além
disto, pretende fornecer um meio pelo qual criar uma
metodologia precisa para tornar as Tríades capazes
de trazer de volta a visão de mundo e os modos
de nossos ancestrais pré-cristãos. Por
fim, deverá ser um meio de transmitir estes versos,
contendo a sabedoria de milênios de experiência
humana, para as futuras gerações dos Gael.
II - O LUGAR DA LEI, SABEDORIA
E CONHECIMENTO NA CULTURA GAÉLICA/CÉLTICA
Na cultura Celta, o povo é governado pela lei
civil. A antiga Lei Brehon da Irlanda ainda existe,
assim como as Tríades Galesas. Mesmo Reis e Rainhas
estavam sujeitos à Lei; de fato, eles só
governavam pela vontade do Povo. O povo podia votar
a favor ou contra eles. Na legislação
americana, os direitos e privilégios do povo
seriam expressos como "proteção igual
sob a lei". Homens e mulheres desfrutavam igualmente
disto. A cultura era igualitária. Foi apenas
após a chegada da Cristandade que as mulheres
começaram a perder seu status legal (3). Isto
se evidencia quando elas foram proibidas de ir ao campo
de batalha, e perderam os direitos de propriedade e
herança. Elas, de fato, perderam a proteção
igual sob a lei.
É um fato provado que a maioria dos costumes
antigos dos celtas se manteve intacta. Foi simplesmente
ocultada sob um fino verniz de cristandade. Com as Tríades
foi só uma questão de alterar o contexto
de uma ou duas palavras, alinhando o antigo Paganismo
com a nova cristandade, e deste modo trazendo os mais
obstinados tradicionalistas ao rebanho cristão.
Com relação ao conhecimento, compreenda-se
aqui que ele era, para nossos ancestrais, uma coisa
sagrada. Conhecimento era uma dádiva confiada
a nós pelos deuses, devendo ser passada de geração
a geração. Há Tríades que
falam da importância do conhecimento e sua transmissão;
as Tríades chegam a declarar que aqueles que
não compartilham seu conhecimento, ensinando
o que sabem, são amaldiçoados pelos Deuses,
seja lá como Eles sejam considerados.
III - OS CELTAS COMO POVO
TRIBAL
Antes de avançar devo fazer uma digressão
aqui e abordar o tema dos Celtas. A própria palavra
"Celta" é um nome inadequado. Nunca
houve um "Império Celta". Aqueles que
geralmente são chamados "Celtas" eram
na verdade povos tribais, cada indivíduo membro
de uma tribo independente. Às vezes duas ou mais
destas tribos independentes podiam se aliar por algum
motivo, como enfrentar um inimigo comum, mas a aliança
era bem frouxa. Eles não tinham senso de nacionalidade
como o entendemos hoje.
O que distingue uma tribo como sendo Celta é
que as tribos Celtas compartilhavam certas características
culturais, como a linguagem semelhante ou o estilo artístico
(4), assim como costumes similares. Este ponto deve
ser compreendido para se entender os Celtas: como povos
tribais, sua visão de mundo se refletia em seus
costumes. Os Romanos e os Cristãos trouxeram,
para as tribos chamadas Célticas, o que chamamos
de pensamento Neo-Platônico. Antes disto, os Celtas
tinham o pensamento tribal. A
diferença pode ser definida deste modo: no pensamento
Neo-Platônico, todas as coisas existem separadamente,
absolutas e independentes; é um sistema de pensamento
de valores absolutos, e que de acordo com a Enciclopédia
Britânica é "...centrado num reino
de realidades imutáveis e eternas, independente
do mundo percebido pelos sentidos..." (5). No pensamento
tribal, tudo está interligado e indivíduos
são partes de um todo.
Religiosidade, no pensamento Neo-Platônico,
é o que a pessoa acredita ou no que ela tem fé.
Simplificando, a pessoa é o que ela pensa. No
modo tribal de pensar, é o que a pessoa É
e o que ela SABE que importa. Povos tribais não
separam o Espírito do Mundo Físico, e
assim como a pessoa é um microcosmo dentro do
macrocosmo (6), os costumes das pessoas refletem a cosmologia
e outros entendimentos obtidos pelo Povo ao qual a pessoa
PERTENCE. Costumes e crenças tribais são
baseados no que se percebe por meio dos sentidos. Isto
se manifesta como leis refletindo o que se percebe ser
as leis da Natureza e as estruturas civis refletem a
ordem percebida no Cosmos.
Povos tribais não são os únicos
a aceitar este modo de pensar, desde que este modo de
ver a existência é extremamente prático;
tanto, que mesmo a Maçonaria escocesa, de orientação
cristã, mantém que "...a ordem do
Universo foi a primeira Bíblia dada à
Humanidade"(7).
Para perceber o modo tribal de pensar em ação,
podemos olhar para as centenas de tribos que empregam
estes processos lógicos. Com referência
aos povos nativos da América, o Wikwashawakan
(homem santo) dos Lakota, Crow Dog, disse, "...nós,
nativos da América, realmente não temos
religiões, ou caminhos espirituais; nós
temos os costumes que nos foram dados pelo Espírito
há muito, muito tempo atrás, e que foram
transmitidos pelos Avôs e Avós até
os dias de hoje. Uma vez nós perdemos de vista
os
costumes do Povo; nós quase nos perdemos. Mas
os velhos modos vivem, e não nos perderemos novamente
no caos. Não, não temos religiões,
nosso modo de ser nos mantém em equilíbrio
e conectados uns aos outros, e ao Espírito, e
a Todos os Nossos Parentes...".
Bem, de volta às Tríades.
IV - FILOSOFIA DOS CELTAS
COMO POVO TRIBAL EM COMPARAÇÃO COM A FILOSOFIA
E OS FILÓSOFOS GREGOS
Para os que consideram a filosofia patriarcal Grega
(Aqueus/Dórios), e as obras de Platão
em particular, com referência à crença
na interligação de todas as coisas; deve
ser lembrado que enquanto o Platonismo e o Neo-Platonismo
são movimentos filosóficos que, no fundo,
foram inspirados nos Diálogos de Platão,
eles não incluem as obras do
próprio (8); na verdade, tanto Platão
como Plotino sustentavam o conceito da inter-conexão
de todas as coisas, e que o Universo era um organismo.
Citando o Górgias de Platão: "...existe
no Universo um princípio de amor e partilha...",
"...Tudo está conectado e os indivíduos
são partes de um todo".
.
Se há similaridade nos conceitos, então
de onde vem a diferença entre as idéias
dos filósofos das cidades-estado gregas e os
cristãos que neles basearam suas idéias
filosóficas, e os povos tribais que mantinham/mantém
idéias similares? Embora este trabalho não
seja o lugar para estabelecer uma discussão filosófica,
deve-se deixar claro que a diferença está
no modo pelo qual estes conceitos se manifestam em suas
respectivas culturas. Povos tribais organizam e usam
o conhecimento de modos diferentes. No fundo, para muitos
povos tribais, não há algo que seja absoluto
em si. Em muitas tribos, e em todas aquelas que conheci,
não pode haver justiça ou poder numa lei,
a menos que ela possa ser encontrada dentro dos confins
do mundo natural. Nos povos tribais, as estruturas civis
refletem o que elas percebem como sendo a estrutura
do Cosmos. Isto é contrário ao que nos
é apresentado nas estruturas Neo-Platônicas.
Foi-me dito que só com os dados acumulados
pelos sentidos não pode haver conhecimento. Os
dados apresentados devem ser organizados por teorias
e formulações de leis universais, para
que haja conhecimento. Se estamos falando do reino da
causa e do efeito, sim, claro que pode haver leis estabelecidas
que retratam causa e efeito; os reinos da matemática
e da jurisprudência logo nos vêm à
mente. Mas dados podem se transformar em conhecimento
sem a necessidade de reinos e realidades sólidas
e eternas. Só é necessário um modo
de organizar os dados, e dizer que os dados devem ser
organizados de um modo particular e com valores específicos,
deixa de fora a possibilidade de que haja outros modos
de pensar que sejam tão efetivos como os que
usamos na cultura ocidental. Além do mais, toda
assim chamada lei universal chega a um ponto no qual
já não tem mais efeito; a luz é
dobrada, lentificada, até mesmo o tempo desacelera
em certos momentos; elétrons orbitam o núcleo
até serem liberados, e quarks respondem a ondas
de pensamento. Ao invés de leis, estamos lidando
mais com um campo de probabilidades. Assim o que é
mais importante é aquilo que está no fundo
da diferença entre o pensamento Neo-Platônico
ocidental e o pensamento tribal, ou seja, valores. O
pensamento ocidental valoriza o indivíduo, muitas
vezes às custas do todo; o pensamento tribal
valoriza o todo, e cada indivíduo como consequência
. Resumindo, o pensamento Neo-Platônico permitiu
e
promoveu o auto-interesse acima de tudo, com grande
sofrimento imposto à maioria devido à
satisfação dos auto-interesses de uns
poucos; o pensamento tribal declara que apenas quando
o bem chega a todos é que ele chega para cada
um. No pensamento ocidental, o indivíduo é
o que acredita ser; no pensamento tribal ele simplesmente
É. O "É" no primeiro caso depende
das fragilidades da mente humana; o "É"
do segundo caso se baseia na solidariedade e na identidade
da unidade tribal.
V - RAZÕES E CONSIDERAÇÕES
PARA DESTACAR OS GAELS NA PESQUISA SOBRE OS CELTAS
Para entender as Tríades, é preciso
ter um entendimento da cultura Celta. Isto se consegue
através da leitura das muitas fontes que registram
as tradições e folclore dos Celtas que
ainda permanecem. Para o autor, isto implicou em destacar
os povos gaélicos insulares e permanecer dentro
dos limites desta cultura tão exclusivamente
quanto possível. Minha escolha dos Gaels se deve
a dois motivos: o primeiro, a natureza insular desta
cultura e a vasta coleção de obras (9)
dela originária; o segundo, o fato de que grande
parte de minha herança é gaélica.
Tentei permanecer com os escritos antigos deste povo
como fontes primárias. Quando isto não
foi possível, usei fontes que citavam amplamente
os textos antigos. Não usei obras dos Romanos;
muitos basearam seu conhecimento dos Celtas e dos Gaels
em particular em seus estudos das obras dos cronistas
Romanos e nas obras de César. O erro deles é
o de não reconhecer que os Romanos estavam em
guerra com os Celtas da Gália, e que César
tinha que justificar a guerra Gaulesa: sua primeira
justificativa
derivou de sua instigação de problemas
na Gália, o que deu um ar de legitimidade à
sua campanha, desde que os Romanos foram convidados
a vir. Mas os fatos não foram bem aceitos pelos
senadores de Roma, e foi necessária uma pena
criativa para criar um real propósito para as
aventuras de César contra os Celtas gauleses.
É difícil separar o que é fato
do que é puramente propaganda (10).
Outra excelente razão para não usar
escritos Romanos é que a experiência deles
foi com as tribos da Gália, não com os
das Ilhas Britânicas. Na Gália haviam três
grupos principais, os Aduen, os Cetae e os Belgae, os
últimos sendo considerados por muitos acadêmicos
como sendo realmente tribos Germânicas. Nas Ilhas
existiam os Gaels e os Bretôes, com os Belgae
recém-chegados ao sudeste do que hoje é
a Inglaterra, antes do começo das hostilidades
Romanas contra os povos das Ilhas. De qualquer modo,
existem diferenças bem definidas entre as diversas
tribos Celtas, diferenças demais para que se
possa reuni-las num só grupo.
VI - ENGENHARIA REVERSA DAS
TRÍADES: TRAZENDO-AS DE VOLTA A SUAS RAÍZES
Com alguma compreensão do povo, podemos começar
a devolver as Tríades ao contexto em que os povos
pré-cristãos as teriam aplicado. Este
processo é às vezes chamado de engenharia
reversa: o primeiro passo é encontrar a versão
gaélica. Nas raras ocasiões em que o original
gaélico não pôde ser encontrado,
a Tríade foi retraduzida para o Gaélico
e então, usando fontes como o Dinneens Gaelic-English
Dictionary (11), estabeleci os usos antigos das palavras
gaélicas. Cada palavra teria vários sentidos
diferentes dependendo do contexto em que fosse usada;
geralmente a própria Tríade dava o contexto.
A partir daí era fácil encontrar o Gaélico
correto, mas era difícil encontrar a palavra
adequada em Inglês para expressar as sutilezas
referentes à palavra em Gaélico; mas eu
o fiz. Lembro ao leitor que as palavras em Inglês
também tiveram sentidos modificados ao longo
dos séculos; um exemplo é a palavra "virgem",
que originariamente significava "uma mulher dona
de si", uma donzela sem marido se preferirem, e
desprovida de qualquer interesse especial na integridade
de seu hímen. Outro exemplo é "pecado",
que é um antigo termo de arqueiros que significava
simplesmente "errar o alvo".
A engenharia reversa das Tríades até
a antiga expressão pré-cristã foi
uma tarefa fácil, feita por meio da compreensão
da cultura Céltica pré-cristã,
muito da qual é conhecido, e por meio da alteração
de uma ou duas palavras para melhor refletir a visão
de mundo pré-cristã (12). Por exemplo,
muitas Tríades se referem ao masculino com exclusão
do
feminino, embora se saiba que a Lei Brehon se aplicava
igualmente a ambos os sexos (13): mulheres podiam possuir
e herdar propriedades, portar armas e frequentemente
seguiam com seus companheiros lado a lado ao campo de
batalha (14); assim, ao alterar um termo específico
de gênero masculino para outro que inclui ambos
os gêneros, as Tríades tornam-se novamente
aplicáveis a ambos os sexos. O primeiro passo
da engenharia reversa foi feito.
O próximo passo lida com questões religiosas.
Algumas Tríades foram completamente construídas
para propagar o pensamento cristão; no entanto,
estas eram em número reduzido, e imediatamente
as excluí. A maioria delas só precisava
ter a palavra "Deus" substituída por
um termo politeísta como "Os Poderosos"
e aquilo que sabemos dos pré-cristãos
estava novamente diante de nós. Muitas das Tríades
falam mesmo de idéias puramente pagãs,
como a reencarnação (15).
Aquelas Tríades que falavam das "Leis
de Deus" foram modificadas para falar das "Leis
da Natureza" ou da "Ordem da Criação",
dependendo de sua aplicação. Todas as
fontes confirmam que os Celtas eram um povo profundamente
religioso, que baseava suas leis e costumes na "Ordem
Natural". Isto é coerente com o pensamento
tribal: que eles tinham um grande conhecimento da ordem
da Criação é algo indubitável.
Quanto às idéias de uma divindade masculina
e única, o equilíbrio masculino-feminino
presente na cultura tinha que ser restabelecido. Um
amplo corpo de evidência permitia a substituição
de termos neste caso; estes incluíam coisas óbvias
como as referências clássicas aos oráculos
femininos, e um grupo de dezenove mulheres no santuário
de Kildare, assim como uma relíquia dos Normandos
retratando mestras e professoras. O
uso da dedução também foi extenso;
por exemplo, Joseph Campbell, em seu livro "THE
MASKS OF GOD- Primitive Mythology" (16), relata
que nas culturas patriarcais, invariavelmente surgiam
sociedades secretas masculinas que, também invariavelmente,
cultuavam divindades femininas da caça, intimamente
associadas à Lua; o culto de Diana logo nos vem
à mente. Mas, na cultura Gaélica, a Lua
é masculina, e o Sol feminino. Este fato faz
parte da própria língua, com o Sol sendo
feminino ainda hoje, Seu nome sendo Grianne (17).
Algumas Tríades mencionam "virtude".
Isto certamente incomodará alguns não-cristãos
modernos. A idéia de virtude dos povos Celtas,
como exemplificada pelos Gaels, não é
similar ao pensamento moderno associado à palavra.
Para eles, "virtude" significava várias
coisas, a maioria delas relacionada simplesmente à
excelência, que era por si só uma questão
de legitimidade (eles eram um povo da lei civil) e orgulho
pessoal, etc. Este modo de ver as coisas é antigo,
e não é uma justificativa exclusiva do
modo Celta; para os amantes da filosofia Grega que lêem
isto, até mesmo Aristóteles concordaria
com este modo de pensar.
Para os Celtas, viver pela lei do Povo era parte do
ser virtuoso, ser honesto era parte do ser virtuoso,
ter orgulho era parte do ser virtuoso, etc. A única
palavra Inglesa que conheço que pode ser um sinônimo
da idéia Celta de virtude é "excelência".
Eles buscavam a excelência: isto é evidente
em suas leis, que foram em parte preservadas por seus
invasores ao longo dos séculos pela excelência
destas leis (18); em suas expressões artísticas;
e em suas tentativas pessoais de excelência, que
eram uma grande parte dos modos deste povo que entendia
e acreditava na reencarnação.
Algumas Tríades têm notas explicativas,
as quais o leitor é encorajado a ler; elas buscam
facilitar a maior compreensão das Tríades
por explicar o contexto social na qual elas surgiram.
Algumas Tríades falam do sacerdócio: desde
que a cultura celta não tinha um corpo organizado
de sacerdotes até a vinda dos Cristãos
(19), estas foram quase erradicadas. Cada indivíduo
era considerado capaz de mediar os Deuses por si mesmo,
e como estes indivíduos, treinados em habilidades
particulares, podiam eventualmente ensiná-las
a outros, era óbvio que uma contemplação
mais profunda se fazia necessária aqui (20):
estas Tríades sofreram engenharia reversa e se
descobriu que elas tratam de mestres e do ensino.
Novamente, a cultura Celta era secular e regida pela
Lei. Não havia "pecado" como o reconhecemos
hoje: para nossos antepassados, "errar", "cometer
um erro", era simplesmente cometer uma infração
da lei secular. Eles não acreditavam na condenação
eterna; infrações da lei secular levavam
a um julgamento secular feito pelo Rei, com a penalidade
mais comum na forma de cabeças de gado, a serem
pagas na razão direta do status social da parte
ofendida. A ira dos Deuses, ou 'karma" se quiserem,
era/é geralmente imediata: isto é evidente
no relato da praga que exterminou o povo de Partholon
no Lebor Gabala Erenn (21) , como resultado da relutância
dos Reis de exercerem seus deveres; ou na história
da vingança da Morrigan contra Cu
Chulainn.
VII - LÓGICA TRINÁRIA
Muitos daqueles que estudaram os Celtas, Gaélicos
ou outros, perceberam que entre eles havia outra forma
de lógica. O que era esta lógica, só
agora estamos começando a especular. Nós
costumamos ver as coisas em termos de sim ou não:
mesmo "talvez" tem a conotação
implícita de que eventualmente o "sim"
ou o "não" se aplicará ao caso.
No entanto, nas Tríades, vemos o que parece ser
um método onde é dado um exemplo, depois
outro, depois um terceiro que parece ser o ponto-chave
da questão.
Em outras manifestações da cultura Celta
é quase como se os extremos de cada lado são
apresentados para, depois, surgir uma terceira direção.
Talvez sim, não, e a terceira opção,
talvez nenhuma das anteriores. De qualquer modo, com
relação às Tríades, o ponto
central de qualquer uma delas parece estar no terceiro
item mencionado, seja qual for o tema proposto.
UMA COLETÂNEA GERAL
Sobre três coisas que ocultam: um saco aberto
não oculta nada, uma porta aberta oculta pouco,
uma pessoa aberta oculta algo.
Três erros não-reconhecidos abertamente:
medo de um inimigo, tormento do amor, e a suspeita maligna
do ciumento sobre seu cônjuge.
Três posses valorizadas que afastam de nós
o orgulho: nosso dinheiro, nosso tempo, nossa consciência.
Três coisas que, por sua natureza, levam seu
possuidor ao erro: juventude, prosperidade, e ignorância.
Três coisas similares uma à outra: a espada
brilhante enferrujando por falta de uso na bainha, a
água brilhante tornada fétida pela longa
estagnação, e a sabedoria tornada morta
pela falta de aplicação.
Três coisas difíceis de deter: a torrente
da queda d'água, a flecha lançada do arco,
e a língua impulsiva.
Três coisas difíceis de pegar: o cervo
na montanha, a raposa na floresta, e a moeda do avarento
mesquinho.
Três coisas semelhantes entre si: um cavalo cego
tocando harpa com os cascos, uma porca num vestido de
seda, uma pessoa impiedosa tagarelando sobre a piedade.
Três coisas entre as melhores: pão e leite
contra a fome, um casaco branco contra o frio, e o filho
do camponês num rompimento de relações.
Três coisas não-escondidas: um graveto
no sapato, uma sovela num saco, uma meretriz numa multidão.
Três coisas doces no mundo: poder, prosperidade,
e erro na ação.
Três coisas fortes no mundo: um senhor, um bobo,
e o Vazio.
Três coisas tão rápidas uma como
a outra: o relâmpago, o pensamento, e o auxílio
dos Poderosos.
Três coisas não-amadas sem seus complementos:
o dia sem a noite, o ócio sem a fome, e a sabedoria
sem reverência.
Três seres cuja recompensa nunca será
plenamente concedida: os pais, o bom professor, e os
Poderosos.
Três glórias de uma reunião: uma
bela companheira, um bom cavalo, e um mastim veloz.
Três coisas que constituem um curandeiro: uma
cura completa, não deixar sequelas, e um exame
indolor.
Três irmãs falsas: "talvez",
"quem sabe", e "acho que".
Três irmãos tímidos: "Silêncio!",
"Pare!", e "Escute!".
Três irmãs jovens: desejo, beleza, e generosidade.
Três irmãs idosas: resmungos, castidade,
e fealdade.
Três coisas delicadas que sustentam o mundo:
o delicado fio de leite escorrendo da teta da vaca para
o balde, o delicado talo verde de trigo crescendo do
solo, e o delicado fio da trama nas mãos da mulher
habilidosa.
Três chaves que destrancam pensamentos: embriaguez,
confiança, e amor.
Três sons de acréscimo: o mugido da vaca
leiteira, o retinir da forja do ferreiro, e o sibilo
do arado.
Três não-respirantes cujo valor é
o de seres respirantes: a macieira, a aveleira, o bosque
sagrado.
A RESPEITO DA EXCELÊNCIA
Três coisas pelas quais a excelência é
estabelecida: moderação ao tomar todas
as coisas, sem excesso; fidelidade aos juramentos; e
aceitação das responsabilidades.
É fácil determinar a verdade quando estas
três evidências principais estão
presentes: itens materiais que contam uma história;
testemunhas confiáveis que narram a história;
e concordância com fatos verdadeiros conhecidos.
Três coisas das quais nunca se desviar: seus
juramentos, seus Deuses, a Verdade.
Três coisas que dão força a uma
pessoa para enfrentar o mundo inteiro: ver a qualidade
e a beleza da verdade; ver sob o manto da falsidade;
e contemplar a que fins levam a verdade e a falsidade.
Três coisas excelentes entre os assuntos mundanos:
odiar a tolice; amar a excelência; e buscar constantemente
o aprendizado.
Três manifestações de humanidade:
abundância afetuosa; maneiras amáveis;
e conhecimento louvável.
Três coisas originadas do seguir o legítimo
bem: amor universal dos Sábios; suficiência
mundana; e um lugar melhor na vida futura (22).
Três coisas sem as quais nada de bom existe:
verdade, paz, e generosidade.
Três belos seres no mundo: o justo, o habilidoso,
e o racional.
Três tendências na vida de uma pessoa:
esperança, amor, e alegria.
Três coisas excelentes para todos: valor, aprendizado,
e discrição.
Três coisas que devem estar unidas para que o
bem provenha delas: pensar bem, falar bem, e agir bem.
Três coisas que ficam bem numa pessoa: conhecimento,
boas ações, e gentileza.
Três coisas que são deveres de todos:
ouvir humildemente, responder discretamente, e julgar
gentilmente.
Três coisas que se deve sempre ter em mente:
os deveres mundanos, a consciência, e as Leis
da Natureza.
Três garantias de felicidade: bons hábitos,
amabilidade, e paciência.
Três coisas sem as quais nada há de bom:
verdade, valor (23), e generosidade.
Três ações maravilhosas: perdoar
um dano recebido, oferecer compensação
sempre que possível, e abster-se de injustiças.
Três alegrias dos felizes: evitar excessos, paz,
e lealdade.
Três antagonistas da bondade: arrogância,
paixão, e cobiça.
Três recompensas dos que aprendem a dominar suas
emoções: experiência, força,
e introspecção.
Três coisas junto as quais o mal não pode
estar: conformidade com a Lei, conhecimento, e amor.
Três coisas pelas quais esperar muito antes de
alcançá-las: honestidade vinda da cobiça,
sabedoria da arrogância, e prosperidade da preguiça.
Três coisas difíceis de obter: fogo frio,
água seca, e cobiça legítima.
Três deveres da pessoa excelente: zelar por seu
cônjuge e filhos, amar seu país, e obedecer
as leis de seu povo.
Três manifestações de excelência:
honrar os pais, respeitar os idosos, e instruir os jovens;
e a estas se soma uma quarta, defender a infância
e a inocência.
Três razões para suplicar aos Poderosos:
porque isto é um prazer para você, para
ser um amigo dos Sábios, e porque sua alma é
imortal.
Três razões para combater o erro: para
não fazer aos outros o que você não
gostaria que lhe fizessem, para não ser arrogante,
e para sempre deixar brilhar a luz da sabedoria.
Três modos de perder a excelência: tornar-se
servo de suas paixões, não aprender com
o exemplo alheio, ser indulgente no excesso.
Três belas coisas que ocultam a fealdade: boas
maneiras no feio, habilidade no ordinário, sabedoria
no deformado.
Três velas que iluminam toda a escuridão:
verdade, Natureza, e conhecimento.
A RESPEITO DA PESSOA
CONSCENCIOSA
Três reinos dos felizes: a boa palavra do mundo,
a consciência alegre, e a firme esperança
na vida futura.
Três lideranças dos felizes: ser bom no
serviço, bom na disposição, e bom
no segredo; e as três só se encontram unidas
no coração nobre.
Três coisas nas quais se pode ser como o Divino:
justiça, conhecimento, e misericórdia.
Três coisas dignas de amor numa pessoa: tranquilidade,
sabedoria, e bondade.
Três coisas excelentes numa pessoa: diligência,
sinceridade, e humildade.
Três coisas que mostram o verdadeiramente humano:
a boca silenciosa, o olhar não-inquisitivo, e
a face destemida.
Três companheiros na estrada real da União
com o Vazio: o pobre paciente, o sábio reflexivo,
o reformador tolerante.
Três amados pelos Poderosos: o forte justo, o
valente misericordioso, o generoso sem arrependimento.
Três coisas sem as quais não há
a proteção dos Poderosos: perdão
a um inimigo e um mal cometido, sabedoria no julgamento
e ação, e aderência ao que é
justo, não importando as consequências.
Três coisas louváveis nos que as possuem:
sabedoria no falar, justiça no agir, e excesso
em nada.
A RESPEITO DAS RECOMPENSAS
DA EXCELÊNCIA
Três coisas obtidas pelos felizes: prosperidade,
honra, e paz de consciência.
Três coisas obtidas pelos humildes: plenitude,
felicidade, e o amor de seus vizinhos.
Três coisas obtidas pelos sinceros: favor, respeito,
e prosperidade.
Três coisas obtidas pelos pacientes: amor, tranquilidade,
e socorro.
Três coisas obtidas pelos misericordiosos: favor,
amor, e a proteção dos Poderosos.
Três coisas obtidas pelos justos: suficiência
mundana, paz de consciência, e felicidade sem
fim.
Três coisas obtidas pelos industriosos: precedência,
prosperidade, e louvor dos Sábios.
Três coisas obtidas pelos obedientes à
Lei: saúde, sucesso, e honra.
Três coisas obtidas pelos cuidadosos: respeito,
abundância, e contentamento.
Três coisas obtidas pelos de coração
generoso: alegria em suas conquistas, felicidade no
dar, e uma melhor vida futura.
Três coisas obtidas pelos que acordam cedo: saúde,
riqueza, e felicidade.
AS ORIGENS DOS MALES COMETIDOS
Três companheiros da ilegitimidade: orgulho,
inveja, e rapina.
Três coisas odiosas aos Poderosos e à
humanidade: um olhar fraco, uma língua enganadora,
e um espírito malicioso.
Três raízes de todos os males: cobiça,
falsidade, e arrogância.
Três alegrias dos sem-lei: gula, brigas, e volubilidade.
Três coisas que acabam mal: falsidade, inveja,
e astúcia.
Três más tendências numa pessoa:
orgulho sem generosidade, cobiça sem justiça,
e raiva sem misericórdia.
Três principais qualidades más das pessoas:
preguiça, engano, e arrogância.
Três coisas agradáveis de se ver: o infeliz
tornado feliz, o avarento tornado generoso, e o sem-lei
submetido à autoridade.
Três coisas principais que enganam as pessoas:
belas palavras, desejo de ganho, e ignorância.
Três coisas que não é pior perder
do que manter: riqueza, juventude, e o amor pelo mundo.
Três coisas: conselho, perda, vergonha; e quem
não tiver a primeira delas terá as outras
duas.
Três sustentos da arrogância: impulsividade,
riqueza, e excesso.
Três coisas que atacam os mais fracos: inimigos,
riquezas, e orgulho.
Três coisas que seria melhor fossem abandonadas
pelos que as prezam: diversão, farras, e tormentos.
Três coisas evitadas apenas pelos felizes e Sábios:
a quebra de juramentos, a embriaguez, e a vaidade.
Três coisas cuja deficiência não
é pior que seu excesso: festividades, riquezas,
e prazeres.
Três coisas que se seguem à preguiça:
más ações, má fama, e mau
fim.
Três coisas odiosas numa pessoa: ignorância,
más ações, e perversidade.
Três coisas inadequadas numa pessoa: considerar-se
sábio, considerar outros tolos, e pensar que
sua aparência é tudo o que deseja.
Três principais corrupções do mundo:
preguiça, orgulho, e extravagância.
Três coisas que afligem o mundo: inveja, ira,
e cobiça.
Três coisas estranhas no mundo: amar a guerra
mais que a paz, amar o excesso mais que a suficiência,
amar a falsidade mais que a verdade.
A RESPEITO DOS QUE SE
PERDEM
Três pessoas amaldiçoadas: os que violam
as Leis da Natureza sem se importar, os que ignoram
os Poderosos e não buscam aprender, e os que
sabem muito e não compartilham seu conhecimento
com outros.
Três tipos de pessoas más: o traidor,
o conspirador, e o caluniador.
Três pessoas detestáveis aos Poderosos
e à humanidade: o mentiroso, o ladrão,
e o avarento miserável (24).
Três tipos inúteis perante os justos e
honestos: o bêbado, o perjuro, e o traidor.
Três tipos de pessoas que não temem os
Poderosos: o traidor, o violentador, e o miserável.
Três principais atributos dos que farão
o mal: face irada, espírito arrogante, e cobiça
insaciável.
Três marcas do ladrão: língua inquisidora,
olho curioso e face medrosa.
Três coisas necessárias aos que cometeram
erros: reconhecer seu erro, buscar a justiça,
e oferecer reparação.
Três pessoas a se evitar: os sem alegria, os
zombeteiros, e os que riem de coisas ilegítimas.
Três pessoas dispensáveis: os que não
beneficiam ninguém, os que não trazem
alegria a ninguém, e os que não mantém
a paz com ninguém.
Três que é melhor ter à distância:
o lisonjeador exuberante, o caluniador ressentido, e
o fofoqueiro mentiroso.
Três coisas que crescem diariamente e buscam
continuamente: o mar, o bêbado, e o avarento.
Três pessoas rudes no mundo: o jovem que zomba
do velho, o robusto que zomba do inválido, e
o sábio que zomba do tolo.
Três sinais do vaidoso: a trilha do pente em
seu cabelo, a marca dos dentes em sua comida, a trilha
que seu bastão deixa atrás dele.
A RECOMPENSA DOS QUE
SE PERDEM
Três coisas obtidas pelos que fazem o mal: pobreza,
má fama, e má consciência.
Três coisas obtidas pelos insinceros: má
vida, má fama, e mau fim.
Três coisas obtidas pelos beligerantes: tormento,
vergonha, e abandono na necessidade.
Três coisas obtidas pelos cruéis: consciência
torturante, desprezo dos Sábios, e a ira dos
Poderosos.
Três coisas obtidas pelos mal intencionados:
ódio, tormento, e tristezas.
Três coisas obtidas pelos negligentes: vergonha,
perdas e ridículo.
Três coisas obtidas pelos avarentos com suas
riquezas: dor ao receber, preocupação
ao guardar, e medo de perder.
Três coisas obtidas pelos preguiçosos:
vergonha, doença, e miséria.
A RESPEITO DE RIQUEZA
E POBREZA
Três coisas obtidas pelos que adquirem riquezas:
ódio entre eles e outros, ódio deles por
si mesmos, e ódio entre eles e os Poderosos.
Três coisas são a porção
dos prósperos: mais e mais cobiça, mais
e mais preocupação, e cada vez menos prazer.
Três coisas que podem vir da riqueza justamente
obtida: abundância mundana, caridade fraternal,
e o bem nacional (25); e destes três, o favor
dos
Poderosos.
Três caminhos conduzindo à pobreza: jogo,
gula, e luxúria.
Três coisas melhores que riquezas: saúde,
liberdade, e discrição.
Três coisas obtidas da pobreza: saúde,
aprendizado, e a proteção dos Sábios.
Três coisas que mais beneficiam uma pessoa: pobreza,
doença, e filhos; pois por meio deles se pode
aprender muito que não seria conhecido de outro
modo.
Três coisas que é tão bom perder
como ganhar: extrema prosperidade, extremo louvor, e
extrema dignidade.
Três perdas terrenas que beneficiam a alma: perda
de um amigo, perda da saúde, e perda de riquezas.
SABEDORIA MISTA
Três tipos de pessoas: a média, que retribui
bem com bem e mal com mal; a
boa, que retribui o mal com o bem; e a má, que
retribui o bem com o mal.
Três coisas obtidas por suportar a Cailleach
(NT: Deusa escocesa): limpeza,
purificação, e renovação.
Três coisas que, sendo poucas, causam muito dano:
um pouco de má disposição,
um pouco de injustiça, e um pouco de negligência.
Três coisas que, sendo poucas, mostram sabedoria:
pouco convencimento, pouca
cobiça, e pouca fofoca.
Três coisas que, sendo poucas, trazem lucro:
pouco comer e beber, pouca
preocupação, e pouco uso da língua.
Três coisas louváveis em qualquer um:
face orgulhosa, discurso discreto, e
modos gentis.
Três coisas que tornam uma pessoa vaidosa: beleza
de forma, tolice na
cabeça, e convencimento no coração.
Três respostas erradas: guerra por guerra, lei
por lei, e reprimenda por
reprimenda.
Três respostas justas: prudência por imprudência,
favor por desfavor, e amor
por ódio.
Três coisas pelas quais se faz o mal: pôr
armadilhas no caminho, assustar
criancinhas, e rir de más ações.
Três falsidades: falsa fala, falso silêncio,
e falsas maneiras; sendo que
cada uma faz com que se acredite no que não se
deve.
Três perdas que trazem ganhos no fim: perda do
que é mais que o necessário,
perda da saúde corporal, e perda do que mais
se preza.
Três ganhos que trazem perdas no fim: ganho de
fama por uma má ação, ganho
de fortuna por injustiça, e ganho de superioridade
por tormento.
A RESPEITO DAS ESTRUTURAS
CIVIS A ORDEM SOCIAL
Três níveis sociais (26), e quem os ocupa
são: os Fíli, que são Aes Dana,
os
Ruada, que são guerreiros, e os Aire, que são
pessoas livres que trabalham o
campo.
Três graus da Realeza: Righ, Ruiri, Rí
Ruirech (27)
Três assentos do Rí Ruirech(28): Tara,
Cruachain, Emain.
Três coisas que o Brughaid (29)do Rei deve fornecer
sem pagamento:
acomodação, comida, e entretenimento.
AS BASES DA SOCIEDADE
Três fundamentos da lei e dos costumes: ordem,
justiça, e paz.
Três coisas que provém da paz: aumento
de posses, melhoria dos modos, e
acréscimo de conhecimento.
AS PRAGAS DA SOCIEDADE
Três coisas que assolam o mundo: um rei sem conselho,
um juiz sem
consciência, e um filho sem reverência.
Três coisas monstruosas no mundo: um jovem sem
civilidade, uma mulher sem
dignidade, e um homem sem consciência.
Três coisas que combatem a paz: um mau cônjuge,
mau solo, e um mau senhor.
(30)
Três coisas que põem o mundo de cabeça
para baixo: o domínio do cônjuge, a
intemperança da filha, e a ignorância do
filho.
A RESPEITO DA TERRA E DO
CULTIVO
Três belezas da terra: o silo, a ferraria, e
a escola.
Três outras belezas da terra: cultivo inteligente,
vizinhos que concordam, e
regras conscenciosas.
Três coisas que trazem plenitude à terra:
plantar árvores, lavrar o solo, e
cardar e fiar.
Três sustentos da humanidade: caça, cultivo
da terra, e comércio.
Três descontentamentos do administrador: um servo
preguiçoso (31), sementes
degeneradas, e solo excessivamente adubado.
Três coisas que, se removidas do lugar, maldito
é quem o fez: os marcos de
fronteira da terra, o curso da água, e os sinais
da estrada.
A RESPEITO DO CIDADÃO
RESPEITÁVEL
Três coisas que tornam uma pessoa líder
entre seus vizinhos: sabedoria,
generosidade, e prosperidade.
Três coisas que trazem a seu possuidor o amor
de seus vizinhos: ser um
pacificador, ser um auxiliador, e ser um guia.
Três coisas que trazem a seu possuidor o respeito
de seus vizinhos:
sustentar a si mesmo, ser sábio de conselho,
e ser gentil.
Três esforços admiráveis e dignos
de louvor para qualquer pessoa: lavrar
suas terras (32), aumentar seu conhecimento, e crescer
em excelência.
Três agradáveis aos Poderosos: o professor
fiel, o bom cultivador, e o
mediador de disputas.
Três coisas boas entre pessoas: artesanato, cultivo,
e erudição.
Três coisas que seguem toda pessoa de legítima
e extrema excelência: bom
nome e fama para eles, boa instrução para
as crianças onde estiverem, e bom
progresso de tudo o que empreenderem em atos e feitos.
Três que só recebem ódio durante
a vida, e louvor após a morte: o sábio
pacífico, o professor verdadeiro, e o amigo sincero
que nos repreende.
Três obrigações principais de uma
pessoa para seu país e sua família: ganhar
posses por diligência e integridade, beneficiar
seu país e seus familiares
em tudo que fizer, e buscar legítimo aprendizado
onde quer que vá.
Três coisas preservadas pelo bom poeta para a
posteridade: memória dos
dignos de louvor, delícia de pensamento, e instrução
no conhecimento.
A RESPEITO DO CIDADÃO
NOCIVO
Três que nunca serão beneficiados: o que
se casa pelo conselho de sua carne,
o que come pelo conselho de sua voracidade, e o que
luta pelo conselho de
sua raiva.
Três coisas de menor valor que tudo o mais: a
mulher sem dignidade, o homem
sem conhecimento, e o professor sem paciência.
A RESPEITO DE LEGADOS
Três coisas melhores que riquezas para deixar
aos filhos e herdeiros dos
felizes: instrução pela razão,
instrução por exemplo, e exortação
para ser
como eles pelo respeito e louvor que isto lhes trará.
Três coisas que não beneficiam herdeiros:
a prosperidade do avarento, o
louvor dos companheiros de taberna, e festas de diversão.
Três coisas que prolongam a vida de uma pessoa:
o solo que sustenta uma
criança, a comida que nutre uma criança,
e a brincadeira que diverte uma
criança.
Três honras mundanas, cada uma delas superior
a todas: arar as terras da
família, defender seus direitos com sucesso,
e criar filhos.
Três metas para o futuro: plantar árvores,
melhorar a habilidade artística,
e educar filhos obedientes à Lei.
CONSELHOS QUE ORIENTAM
Três coisas que enganam o mundo: as promessas
dos mestres, as vestes dos
sacerdotes, e a beleza de uma filha.
Três coisas que enganam os que nelas confiam:
as promessas de um amante
(33), a fidelidade de um servo (34), e a estação
da juventude.
Três coisas das quais nada resulta senão
engano: o amor do vulgar, a
inocência do dominador, e a fé do doente
em seu leito.
Três coisas nas quais não se deve crer:
os sonhos dos velhos, as juras dos
amantes, e um conto narrado sem autoridade.
Três coisas difíceis de confiar: o juramento
do boiadeiro, a promessa de um
amante, e a palavra do caçador sobre seu cão.
Três coisas nas quais as pessoas são notáveis:
o moleiro em roubar, o
pregador em esmolar, e o gabola em contar mentiras.
Três coisas difíceis de obter: um alfaiate
sério, um moleiro honesto, e uma
taverneira sem cobiça.
Três pessoas que desejam porções
ricas e saborosas: o cozinheiro, a
concubina (35) e o sacerdote da casa.
Três pessoas que não beneficiam o mundo
em nada que façam, não importando o
quão famosos sejam por sua sabedoria, arte, ou
fé: o avarento apegado, o
poeta arrogante, e o sacerdote da casa.
Três aves do mesmo ninho: o fazendeiro loquaz,
o poeta lógico, e o sacerdote
tíbio.
Três a disputar na morte dos ricos e poderosos:
seus inimigos por sua
reputação, seus parentes por seus bens,
e os vermes por sua carcaça.
Três coisas boas aos olhos do avarento: uma faca
de cabo de latão, sapatos
bastante remendados, e a difamação dos
generosos.
Três modos de conhecer uma pessoa: por seu discurso,
sua conduta, e seus
companheiros.
Três medidas de cada pessoa: o que sonham, o
que temem, e o que não os
preocupa.
Três ódios que duram para sempre: entre
o cônjuge e seus enteados, entre
cães e porcos, e entre Galês e Saxão.
Três coisas com as quais não se meter:
o ofício de um senhor, usura, e
guerra.
Três coisas difíceis para qualquer um:
esfriar o fogo, secar a água, e
agradar a todo o mundo.
Três coisas muito buscadas e difíceis
de obter: o empréstimo desinteressado
do avarento, a condução sem taxas extras
de um caso na corte, e um banquete
de boa comida na casa do avarento miserável.
Três coisas que pervertem o julgamento justo:
o amor dos amigos, o temor aos
poderosos (36),e o desejo de bens materiais (37).
Três coisas não encontradas facilmente:
o arrogante generoso, o jovem sábio,
e o ancião cortês.
Três diversões que certamente trazem problemas:
caça, guerra, e se meter com
pessoas mais novas.
Três coisas necessárias ao que entra na
estalagem: cabeça forte, estômago
resistente, e uma bolsa bem pesada.
Três coisas que se obtêm numa estalagem:
diversão que empobrece, bom humor
que prejudica, e alegria que entristece.
Três tipos de mentiroso, e não há
ninguém como eles: o senhor mentindo por
privilégios, o sacerdote mentindo por profissão,
e a mulher mentindo pelo
filho que ama.
MÚLTIPLAS BÊNÇÃOS
E BENEFICÊNCIAS
Três bênçãos que não
trazem fome ou desabrigo: a bênção
do conselheiro
espiritual, a bênção do seu senhor
legítimo, e a bênção do poeta
de arte
hereditária.
Três bênçãos melhores que
todas as outras: a bênção de pai
e mãe, a bênção
dos doentes e feridos, e a bênção
da pessoa na adversidade.
Três a quem é correto alimentar: o estrangeiro,
o solitário, e o órfão.
Três coisas que não se pode obter: pobreza
do dar esmolas, prosperidade do
roubo, e sabedoria da prosperidade.
Três ocasiões para mentir sem se justificar:
para salvar a vida do inocente,
para manter a paz entre vizinhos, e para preservar os
Sábios (38) e suas
artes.
Três coisas difíceis para uma pessoa deixar:
a terra onde ela nasceu e se
criou, os amigos de lealdade testada, e a riqueza obtida
pelo trabalho de
suas mãos.
Três pessoas que vencem facilmente disputas legais:
o generoso, o sábio, e o
saudável.
Três coisas pelas quais conhecer seu vizinho:
ele é pobre, ele é um
estranho, ele é feito à imagem humana.
Três dons da caridade: comida, santuário,
e instrução.
A RESPEITO DA ETIQUETA
Três coisas próprias ao que foi tratado
com gentileza: agradecimentos,
lembrança, e retribuição.
Três coisas pelas quais agradecer, pois esta
é uma recompensa fácil: um
convite, um presente, e um aviso.
Três coisas que causam muitos convites ao que
as têm: falar pouco, e só o
que for sábio e instrutivo, alegria quieta e
espontânea, e modos sempre sem
arrogância.
Três coisas que fazem perder convites: comer
muito, falar muito, e pedir
muito.
Três que não são convidados em
casa: o lisonjeiro enganador, o zombeteiro
desdenhoso, e o traidor invejoso.
Três coisas desagradáveis num banquete:
um garfo muito curto, uma faca cega,
e um prato fora do alcance.
Três indignidades num banquete: tossir na bebida
de outro, cortar a mão de
outro com sua faca, e derramar seu molho do prato.
Três coisas impróprias numa festa: pegar
um pouco de cada porção em seu
prato, pôr na boca mais do que seu companheiro
pode corresponder (39), e
beber com comida na boca; e mais uma quarta: achar defeito
na comida que
comeu.
Três carnes do hospedeiro: carne cozida, carne
vermelha, e carne viva (40).
Três coisas que não se traz para seu anfitrião:
dano, disputa, má reputação.
Três razões para guardar silêncio:
para não dizer o que não se deve, para
não falar como não se deve, e para não
falar onde não se deve.
Três razões para falar, não importando
as consequências: para instruir o
ignorante, para aconselhar o aflito, e para opor a verdade
contra a
falsidade danosa.
Três coisas que não fazem mal a ninguém:
esconder os maus modos, controlar
as paixões, e destruir as más intenções.
Três coisas a dar livremente aos convidados:
acomodação gratuita,
conversação amigável, e segurança
garantida.
Três elementos da acomodação gratuita:
recepção alegre, refeições
quentes, e
uma cama aquecida.
Três coisas que o hóspede não traz
para a casa dos outros: más notícias,
licença presunçosa, e traição.
Três coisas impróprias de um convidado
numa festa: pegar um pedaço de cada
comida, encher a boca, e falar de boca cheia (41)
Três coisas a postos para o hóspede, esperado
ou não: portas abertas,
caldeirão cheio (42), cama quente.
REFERENTE AO DOMICÍLIO
A RESPEITO DO BOM LAR
Três coisas sem as quais não se está
completo: uma companheira, um lar, e um
ofício.
Três coisas desejáveis numa casa: boa
ordem, bom conhecimento, e plenitude
suficiente.
Três felicidades de uma casa: um vigia honesto,
um pastor cuidadoso, e um
mensageiro sábio.
Três coisas que alegram uma pessoa: o amor de
seu cônjuge, a prosperidade de
seu trabalho, e sua consciência leve.
Três coisas próprias ao que está
em casa: seu cônjuge deitado a seu lado,
sua almofada em sua cadeira, e sua harpa afinada.
Três coisas reconfortantes para a pessoa ter:
seu cônjuge a seu lado na
cama, seu fogo em sua lareira, e seu dinheiro em sua
bolsa.
Três felicidades do sábio: solo generoso,
cônjuge dedicado, e filhos
obedientes.
Três coisas que exaltam a pessoa: o cônjuge
dedicado e diligente, o mestre
fiel, e segurança.
Três coisas que levam à riqueza: a economia
do cônjuge, o não-desperdício
pela família, e o seu próprio trabalho.
Três coisas que fazem o casamento feliz: igualdade
de idade, igualdade de
linhagem, e igualdade de posses.
Três felicidades de uma pessoa e seu cônjuge:
alegria no lar, boas relações
com os Poderosos, e serem mediadores entre os vizinhos.
Três coisas obtidas pela excelência do
cônjuge: um lar pacífico por seu
amor, filhos de maneiras gentis, e o respeito de seus
vizinhos (43).
Três coisas alcançadas pela excelência
do cônjuge: paz de espírito,
bem-estar do corpo, e prosperidade estável.
Três tesouros da criança em um bom lar:
verdade, amor e crescimento.
Três coisas numa pessoa que tornam seu cônjuge
líder entre seus vizinhos:
habilidade, industriosidade, e sabedoria.(44)
Três coisas que trazem dignidade à pessoa:
discrição de fala, contentamento
com a vida que leva, e viver em paz com seus vizinhos.
Três coisas que contentam no jantar: a habilidade
do cônjuge, a comida
saborosa, e o estômago saudável.
Três coisas agradáveis no jantar: uma
faca afiada, um garfo pontudo, e um
prato limpo.
A RESPEITO DO MAU LAR
Três coisas desconfortáveis: um lar sem
cônjuge, uma sala sem comida, e um
corpo sem saúde.
Três causas de desordem no lar: o homem bêbado,
a mulher execrável, e os
filhos intratáveis.
Três coisas que é melhor não ter:
um lar desonesto, filhos desobedientes, e
um cônjuge bêbado.
Três coisas que afastam a pessoa de casa: discussões
do cônjuge, goteiras no
telhado, e fumaça escapando pela chaminé.
Três infelicidades do lar: abrigar um malfeitor
inútil, ter um amante, e hospedar um sacerdote.
Três coisas que tornam a pessoa necessitada:
um cônjuge amante de luxos, negligência
no lar, e suas próprias extravagâncias.
Três coisas que causam no cônjuge ódio
ao invés de amor: mau humor, desejo de dominância,
e mimar seu estômago.
Três coisas que trazem a uma pessoa o desrespeito
do mundo e o ódio de seu cônjuge: acordar
tarde, ser teimoso, e trazer um amante para casa.
Três indignidades da mulher: ser tagarela, ser
beligerante, e ser caluniadora.
Três indignidades do homem: ser rápido
ao suspeitar, rápido ao irritar-se, e lento ao
trabalhar.
Três coisas que trazem má fama a uma pessoa:
flertar com os mais novos, cobiçar itens supérfluos,
e falar mal dos vizinhos.
A RESPEITO DOS FILÍ;
POIS TODOS SÃO CAPAZES DE MEDIAR OS DEUSES
Três coisas impróprias dos Filí:
reivindicar como sua a obra feita pelos Deuses por meio
deles, exigir recompensas como servo dos Poderosos,
e ser sustentados por um trabalho que não foi
seu.
Três deveres dos Filí: ensinar o povo
a ser forte e destemido, ensinar ao povo como evitar
a atenção dos poderosos, e ensinar ao
povo as Leis da Natureza.
A RESPEITO DE CONTRATOS
E ACORDOS
Três coisas necessárias a um contrato:
acordo mútuo, compreensão mútua,
e
consentimento mútuo; e a estas uma quarta, garantias
asseguradas.
Três tipos de garantia: Naidn, Aitire, Rath (45)
Três partes do contrato que exigem atenção
especial: o que é explícito, o
que é implícito, e o que foi esquecido.
Três fundamentos do acordo mútuo: que
não haja nada oculto, que não haja má
intenção, e que não haja coerção.
Três coisas à vítima de um contrato
rompido: perda, perda secundária à
perda, e o preço de honra (46).
Três tipos de contrato, valendo diante dos Poderosos
e da humanidade: o
estabelecido pela palavra dada, o estabelecido pela
palavra escrita, e o
ordenado pelo Righ ou pela Rian.
Três tipos de lucro: da produção,
do investimento, e da boa reputação.
Três tipos de investimento: bens, dinheiro, e
tempo.
CONSELHOS PRÁTICOS
A RESPEITO DA BOA E MÁ SAÚDE
Três coisas preciosas para a humanidade: saúde,
liberdade, e virtude.
Três coisas que não devem ser tratadas
levianamente: saúde, prosperidade, e
tempo.
Três coisas que mantêm a pessoa saudável:
alimentação moderada, trabalho
adequado, e calor natural.
Três alimentos que trazem saúde, longa
vida e compreensão clara: cereais,
laticínios, e vegetais.
Três alimentos que trazem doença, vida
curta e compreensão embotada: carnes,
doces, e temperos em excesso.
Três ações que trazem saúde
e longa vida: trabalhar a terra com moderação,
acordar cedo, e alegrias inocentes.
Três ações que trazem doenças
e vida curta: muito trabalho, muito sono pela
manhã, e mau humor.
Três mudanças frequentes que trazem longa
vida: de comidas, de trabalho, e
de diversão.
Três coisas boas para o que ama a boa saúde:
sono suficiente no Bealtinna
(Primavera), comida suficiente no Meansamhradh (Verão),
e calor suficiente
no Geamhradh (Inverno)
Três coisas que dão força ao corpo:
dormir em cama dura, ar frio, e comida
seca.
Três coisas cujo excesso encurta a vida: carnes,
bebedeira, e muita
preocupação com o sexo oposto.
Três remédios infalíveis para toda
doença: Natureza, tempo, e paciência.
Três coisas das quais nunca se tem o bastante:
vida, saúde, e riqueza.
CONSELHOS DE PRUDÊNCIA
Três coisas que o prudente não mostra:
o fundo da sua bolsa, o fundo do seu
conhecimento, e o fundo do seu coração.
Três coisas que o justo deve subjugar: o cavalo
novo e indomado, a filha
jovem e rebelde, e a língua tagarela.
Três coisas semelhantes: um bom silo sem grãos,
um bom copo sem bebida, e
uma boa filha sem boa reputação.
Três coisas que não se deve abandonar:
um navio ao vento, uma mulher à ira,
e um filho à ignorância.
Três coisas que não se deve fazer apressadamente:
guerras, festas, e
debates.
Três coisas obtidas ao se viajar por terras estranhas:
fome, frio, e
desprezo.
Três coisas nas quais não se pode confiar:
saúde na velhice, bom tempo no
inverno, e felicidade com as coisas materiais.
Três coisas das quais é melhor manter
distância: um cão estranho, uma
inundação súbita, e aquele que
se considera sábio.
A RESPEITO DA ORDEM NATURAL
Três coisas que mantêm ordem e sistema
em tudo no mundo: número, peso, e
medida.
Três coisas que não se controla: o Vazio,
os planetas, e a verdade. Ao que
se acrescente, A Verdade Contra o Mundo (47)
Três coisas são bons servos, mas maus
mestres: água, fogo, e vento.
Três coisas mais que são piores como mestres
que como servos: trabalho,
dinheiro, e reis.
Três coisas que devastam tudo onde surgem: água,
fogo, e a maldição dos
Poderosos.
Três arquiinimigos da humanidade: fogo, água,
e o rei.
Três glutões no mundo: o mar, o rei, e
a cidade.
Três coisas que todo ser possui: cobertura, movimento,
e sombra.
Três coisas a considerar em tudo: natureza, forma,
e função.
Três desigualdades no mundo: beleza, amor, e
necessidade.
Três partes em tudo: Ele, Ela, e Eles unidos
na Terceira (48).
A RESPEITO DA NATUREZA
HUMANA
Três coisas nunca repousam: o coração
batendo, a respiração em movimento, e
a alma considerando.
Três coisas nas quais há uma maravilhosa
diferença: as faces das pessoas, as
falas das pessoas, e os escritos das pessoas.
Três coisas das quais é difícil
afastar uma pessoa: sua crença, seu gênio,
e
sua nação.
Três coisas para toda pessoa refletir: de onde
veio, onde está, e para onde
irá.
Três coisas difíceis de realizar plenamente:
conhecer a si mesmo, conquistar
os apetites, e guardar segredos.
Três coisas que não se pode ocultar: grande
amor, grande ódio, e grande
riqueza.
Três coisas das quais o todo não é
bom: fazer tudo que a paixão deseja, crer
em tudo que se diz, e mostrar tudo o que se sabe.
Três martírios sem morte: a liberalidade
do necessitado, a inocência do
jovem, e a manutenção adequada do desprovido.
Três coisas que é doloroso perder: as
conquistas da sabedoria, a consciência
limpa, e o amor dos Poderosos.
Três medos que fortalecem ao coração:
medo de falar o que se aprendeu sobre
outros, medo da prosperidade excessiva, e medo de ofender
os Poderosos.
Três medos que enfraquecem o coração:
medo de falar a verdade, medo da
pobreza abjeta, e medo do mal que outros possam causar
a si.
Três coisas que iludem o mundo: engano, supremacia,
e amor excessivo pelos
seres humanos.
Três conselhos do pássaro amarelo: não
lamente o que é imutável, não creia
no que é impossível, e não deseje
o que é inatingível.
Três coisas que chegam sem dar aviso: sono, erro,
e velhice.
Três coisas que chegam juntas: idade, erro, e
sofrimento.
Três coisas que guardam a palavra dada: morte,
retribuição, e remorso.
Três coisas obedecidas pelo verdadeiro ser humano:
verdade, o mundo futuro,
e o galo ao amanhecer.
Três coisas que não se pode acreditar
nem a metade do que se diz sobre elas:
riqueza, compreensão, e bondade
Três coisas nunca têm fim: o florescer
da caridade, a alma, e o amor
perfeito.
A RESPEITO DA AÇÃO
Três coisas necessárias para agir: conhecimento,
habilidade, e desejo.
Três partes de cada ação: pensamento,
palavra, e ato.
A RESPEITO DO CONHECIMENTO
Três tipos de conhecimento: a natureza das coisas,
a causa das coisas, e a
influência das coisas.
Três fontes de conhecimento: razão, fenômeno,
e necessidade.
Três coisas necessárias ao que deseja
aprender: ouvir atentamente,
contemplar atentamente, e silenciar continuamente.
Três mestres da humanidade: eventos vistos e
ouvidos, inteligência provinda
de reflexão e meditação, e gênio,
dom individual dos Poderosos.
Três coisa obtidas pelos que ouvem os Antigos:
iluminação, sabedoria, e
clareza.
Três instruções nas quais não
é sábio crer: o que alguém ensina
para sua
própria vantagem e sucesso, o que alguém
ensina com ódio por outros, e o que
alguém que se considera sábio ensina.
Três qualificações da poesia: dote
de gênio, julgamento da experiência, e
felicidade de mente.
Três fundamentos do julgamento: desígnio
ousado, prática frequente, e erros
frequentes.
Três fundamentos do aprendizado: ver muito, estudar
muito, e sofrer muito.
Três fundamentos do pensamento: perspicácia,
amplitude, e precisão.
Três cânones da perspicácia: a palavra
necessária, na quantidade necessária,
do modo necessário.
Três cânones da amplitude: Pensamento adequado,
variedade de pensamento, e
pensamento requisitado.
Precisão: brevidade é a essência
da sabedoria * (NT: incompleto no original)
Três coisas fortalecem mente e razão:
ver muito, refletir muito, e suportar
muito.
Três recursos da humanidade: inteligência,
amor, e oração.
A
RESPEITO DA SABEDORIA
Três fundamentos da sabedoria: discrição
no aprender, memória para reter, e
eloquência ao contar.
Três concordâncias na sabedoria: generosidade
e abundância, conhecimento e
humildade, e valor e misericórdia; e não
há sábio nem humano verdadeiro em
que estas coisas não estejam em concórdia.
Três marcas da sabedoria: simplicidade, procura,
e sofrimento.
Três garantias da sabedoria: memória,
reflexão, e costume.
Três qualidades que demonstram sabedoria: sofrer
discretamente, perdoar
ofensas, e buscar conhecimento.
Três seguidores da sabedoria: imaginação,
propósito, e procura.
Três demonstrações de sabedoria:
ater-se à razão, ater-se à imaginação,
e
ater-se ao melhoramento.
Três sinônimos de sabedoria: necessidade,
decência, e expediente.
Três coisas obscurecem a sabedoria: orgulho,
cobiça, e temor.
Três virtudes da sabedoria: generosidade, industriosidade,
e prudência.
Três iniciações da sabedoria: ensino
legítimo, costumes efetivos, e amor
instintivo.
Três operações da sabedoria: domar
a selvageria, espalhar a paz, e melhorar
as leis.
A RESPEITO DOS SÁBIOS
Três escolas do sábio: consciência,
razão, e instrução.
Três coisas essenciais ao conhecimento dos sábios:
seus Deuses, eles mesmos,
e os enganos do mundo.
Três coisas obtidas pelo sábio: prosperidade,
dignidade, e alegria.
Três triunfos do sábio: dignidade, intuição,
e louvor.
Três coisas das quais o sábio se orgulha:
sua compreensão, sua habilidade, e
o que ele domina.
Três pragas do sábio: amantes jovens,
bebida, e mau gênio.
A RESPEITO DO TOLO E SUA
TOLICE
Três escolas do tolo: a punição
da lei (49), desgraças na vida, e uma má
situação na vida futura (50).
Três coisas obtidas pelo tolo: falha, desgraça,
e tristeza.
Três coisas das quais o tolo se orgulha: riqueza,
linhagem, e dissipação.
Três risos do tolo: rir do bom homem, rir do
mau homem, e rir do que não
conhece.
Três coisas que o tolo considera imprudentes:
buscar o conhecimento não
importando como, dar esmolas sem pensar o que sucederá,
e suportar tudo pela
verdade e justiça sem medo das consequências.
A RESPEITO DA SABEDORIA
APLICADA
Três coisas das quais todos são capazes,
e sem as quais nada pode ser: força
de corpo e mente, conhecimento, e amor pela sabedoria
intuitiva.
Três coisas às quais não há
oposição: Natureza, necessidade, e morte.
Três pessoas difíceis de crer: um viajante
vindo de longe, o que lê um livro
em linguagem estranha, e os que são mais velhos
que seus vizinhos.
Três pessoas nas quais não é sábio
crer: o estranho falando de suas posses,
o velho louvando os dias do passado, e aquele que se
gaba de sua sabedoria.
Três concordâncias que sustentam todas
as coisas: de amor e justiça, da
verdade e imaginação, e dos Poderosos
e as ocorrências.
Três conselhos de Teilo, o Draoi: conheça
seu poder, conheça sua sabedoria,
conheça seu tempo.
Três pessoas agradáveis aos Poderosos:
os que amam tudo o que vive de todo o
coração, os que amam tudo o que é
belo com toda sua força, e os que buscam
todo o conhecimento com todo seu entendimento.
Três coisas muito diferentes: o que é
louvado e o que é desculpado, o que é
desculpado e o que é tolerado, e o que é
tolerado e o que não é punido.
A RESPEITO DAS AMBIÇÕES
E DOS CAMINHOS DO SUCESSO
Três coisas pelas quais todos devem lutar: unidade
com seus Deuses, paz
entre vizinhos, e julgamentos justos.
Três coisas que evitam calamidades: adorar os
poderosos, ser justo, e
exercer a fortaleza.
Três coisas pelas quais o sucesso vem: ouvir
humildemente, responder
discretamente, e julgar gentilmente.
Três fundamentos do sucesso: a boca silenciosa,
o ouvido cuidadoso, e a ação
adequada.
A RESPEITO DA AMIZADE
Três fundamentos da amizade: respeito e confiança,
compreensão e paciência,
e um coração amável e mãos
auxiliadoras.
Três coisas a fazer por um amigo: que ele seja
para você como um outro eu,
que seu sofrimento não o afaste de você,
e fazer em sua memória o que você
faria se ele ainda fosse vivo.
A RESPEITO DA FELICIDADE
Três fundamentos da felicidade: contentamento,
esperança, e fé.
Três coisas obtidas pelos felizes: prosperidade,
honra, e paz de
consciência.
A RESPEITO DA FILOSOFIA
Três propósitos para o retorno das almas
a este mundo: reunir na alma as
propriedades de todas as coisas, adquirir conhecimento
de todas as coisas,
adquirir o poder de conquistar o caos.
Três coisas que continuamente decrescem: escuridão,
falsidade, e morte.
Três coisas que continuamente crescem: luz, vida,
e verdade.
Três julgamentos: o nosso, que demora a vir,
o de nossos semelhantes,
através do Rei, que demora pouco, e o dos Poderosos,
que é rápido, certeiro,
e justo.
A RESPEITO DOS GUERREIROS
Três apenas, cujo frenesi é para o benefício
do povo: o guerreiro no campo
de batalha, o dançarino no local da dança,
e o buscador de justiça onde quer
que vá.
A RESPEITO DO VERDADEIRO
HUMANO (52)
Três maiores causas do verdadeiro humano: verdade,
honra, e dever.
Três manifestações do verdadeiro
humano: civilidade, generosidade, e
compaixão.
A RESPEITO DA RELIGIÃO
Três fundamentos da espiritualidade: a lareira
como altar, o trabalho como
adoração, e o serviço como sacramento
(53) |