
Eu sou
Eu Sou o Basalto Negro...lembrança
ancestral do caldeirão antigo do Planalto
Central.
Eu Sou a Preguiça Gigante....espírito
sábio de paciencia e perseverança.
Eu Sou o Tigre de Dente de Sabre...dinamismo transformador
dos ciclos da
vida.
Eu sou o cume sem neve do Pico da Neblina...cujo olhar
descança sobre o
tapete verde equatorial.
Eu sou a força andarilha das águas profundas
e claras...veias de vida da
Terra Brasilis.
Eu sou a diversidade fervilhante das Atlânticas
Matas...caldeirão de mil
nomes e mil existências.
Eu sou o balançar suave dos Capins Mimosos...Peles
multicoloridas dos corpos
dos cerrados.
Eu sou o amarelo e o negro...dos ouros, das onças,
dos micos e dos ipês.
Eu sou o canto misterioso que silencia todas as vozes...
o Espírito do
Irapuru.
Eu sou os ventos dos quatros quadrantes que trazem
os Espíritos...da Seca e
das Chuvas.
Eu sou a Inspiração de cultura... de
caçadores, coletores, plantadores,
ceramistas povos ancestrais natureza da terra.
Eu sou a Plumária poética....penas das
aves e penas de homens.
Eu sou o vôo veloz e certeiro... do Carcará
do Brasil.
Eu sou a pequena semente...levada pelo vento que produz
a Peroba Rosa e O
Jequitibá Rei.
Eu sou o pequeno cascalho...rolado e polido que reflete
o brilho de todas as
pedras.
Eu sou abundância lásciva dos doces da
terra...Articum, jaboticaba, Pitomba,
Cajú, Mel de Assa-peixe, Gabiroba.
Eu sou corredeira de vida...Piracemas, Lambaris, Dourados
Saltantes,
Cascudos das profundidades.
Eu sou o filho de Antigas, Sábias de longo
Tempo....nascidas nos Sapucaís:
Mãe de Muitos Figueira Branca.
Eu sou a Terra Antiga e Nova... Alegre e Sofrida....de
Perfumes e Sonhos:
Pindorama Amada!
Eu sou Um com Todos e Todos com Um...
Que e o Espírito Fluidor faça memória
de minha Natureza na Natureza da Terra
Brasilis!
Marcelo Cuchulainn
creator@netsite.com.br
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Hurricane
Preso à terra, sinto a terra
Penso na terra, vivo na terra
Vivo a terra
Sou pessoa, cheia de vida
Vejo a vida, em todas as pessoas
Sou humano, respeito a todos
Ser humano
De uma viemos, e a uma retornaremos
Homem, mulher, branco, negro, planta, animal
Todas faces e fases de um mesmo final
De passagem estamos, para algo mais
Cremos na vida, dela nos alimentamos
Diferenças não existem,
logo não as consideramos
Da essência somos parte, e buscamos a unidade
Viver devemos
Vivemos e respeitamos
Desrespeitamos e sofremos
Punições dela e dos outros, dos que
sofrem e dos que vêem o sofrimento
Ofendemos e morremos
Um pouco a cada dia
Dignidade é vida, e sua ausência mata
Sempre transformamos, a nós mesmos
e aos outros
Nunca paramos, mesmo que na ausência
Transformamos, melhoramos, pioramos
O caminho deve ser escolhido, por nós mesmos
e para o bem de todos
Somos vida, honramos toda a vida
Por toda a Vida
Vejo paz, no futuro
Repudio o ódio, do passado
Temo pelo medo, do presente
Aguardo, ansioso, pela continuação
Da vida, das vidas
Da Terra, que tudo origina
Fábio M. Barrreto
obardo@terra.com.br
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MÃE! São
suas as pedras que dos morros rolam
que rolam esfacelando-se no ar,
MÃE! São suas as águas que passam
que passam sempre a caminho do mar;
MÃE! São seus os ventos dos quatro quadrantes
que embalam as matas e agitam o mar,
MÃE! São suas as chuvas de inverno aos
amantes
que aconchega aumentando o desejo de amar;
MÃE! É seu este Sol que ilumina todos
os planetas
que cujos raios colorem e aquecem o chão,
MÃE! É seu o luar intrigante, romantico
e de tantas facetas
que a imaginação leva a estória
do bicho papão;
MÃE! É seu o Futuro o Presente e o Passado
que funde história de mãe em mãe
Natureza,
MÃE! É sua a dádiva da aurora
da vida do Amor cultivado
que das dores do parto renasce a Beleza;
MÃE! A festa é em sua homenagem não
importa se é jovem ou de idade
MÃE! A Poesia traduz sua Imagem
MÃE! Do outro lado... É só saudade.
Silas Gomes
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Magia é
estar na Natureza
Magia é sentir o vento
Bater no rosto pela manhã
Sentir o frescor da chuva
Ouvir o canto dos pássaros
No início da primavera
Magia é abrir os olhos
Ver o mundo como quiser
Viver sem culpa, sem desculpa
Aceitar que por trás de todo bem há
um mal
E por trás de todo mal há um bem
Pois a Natureza assim o é
Magia é transformar uma simples
comida
Em alimento nutritivo e saboroso
Na maior das alquimias
É transformar uma antiga panela
Em um caldeirão repleto de encantamentos
Magia é estar na Natureza
Mas, acima de tudo
Notar sua presença em todo lugar
Magia é observar a ferocidade
com que os animais caçam
E a ternura com que cuidam de suas crias
É ver na mais modesta árvore
Não apenas folhas verdes,
Mas o espírito mais sábio
Magia é buscar o equilíbrio
Sempre que puder ou quiser
É deixar um pouco de inspiração
e loucura
Romper a alma e tornar-se poesia
Fazer alquimia com as palavras
Magia é não se deixar
limitar pela razão
É perceber que antes de humanos
Somos animais
E assim possuímos um instinto
Livre das amarras do racional
Magia é perceber o Sol que repousa
à noite
Para em seu lugar a Lua poder brilhar
Magia é unir dois corpos
Dois estranhos tão similares e tão opostos
E ver a vida surgir
Irromper do ventre da mãe
E por seu corpo ser alimentada
Como nutrida pela própria Terra.
Sinaida Serro
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Mágica
Magia
Magia que canta
Magia que cria
Magia que grita
Na mais colorida das flores
E na imensidão azul deste céu
Na fluidez do oceano
E na metamorfose da borboleta
No pássaro voando
E na cigarra cantando
Lá está ela
E aqui ela está
Em tudo e em todos
Na mesma intensidade
Com a mesma importância
E com plena igualdade
Afável e inefável
Singela e complexa
Vazia e completa
E assim ela é
No vento que dança com as árvores
No beijo de paixão
No sorriso da criança
E na fúria de um vulcão
É magia que canta
É magia que cria
É magia que grita
Sentindo com todos os sentidos
Aprendi a ver, sentir e até tocar
Largando minhas velhas teorias
Todos os dias
Não apenas sobrevivendo
Mas vivendo a Vida de verdade
E com toda a vontade
Para dar o melhor de mim
Não acreditar, não mudará
E nunca fará
Com que ela deixe de fluir
Através de mim
És tudo e nada
És o céu e minha Terra amada
Água da vida e fogo que transforma
Azar e sorte
Vida e morte
Mágica magia
Complexa simplicidade da vida
Sou parte de você
E és tudo que existe em mim
Sou grata por perceber
A magia na Vida
Que sempre esteve
E sempre estará
No ar que respiro
No meu coração que bate
No amor que sinto
Por tudo que vive
E que têm assim como eu
O direto de viver
Vânia Psiche
luadeseda@yahoo.com.br
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Um dia nas terras
do Maravilhoso Amazonas,
Encontrei uma linda Índia, com seus olhos negros,
Mas que irradiavam e encantavam, como os raios
de sol ao nascer de mais um dia.
Sua pele era tão macia quanto deslizar os dedos
Sobre o veludo, cabelos de seda e sorriso doce,
Mas não tão doce quanto seus beijos.
Podia sentir sua respiração como o perfume
da noite,
Seu calor como a chama de uma fogueira.
Duas almas unidas no ardente mundo da paixão.
Mas nossas almas se separaram então,
para muito
Longe uma da outra, mesmo sabendo
Que a natureza sagrada nos une pela terra
a nossos pés, pelo ar que caminha com o vento,
O fogo que arde em nossos corações e
a água
Que nos banha.
Sei que o momento é de tristeza
Mas o triste também faz parte do equilíbrio,
Nos mostra novos caminhos, nos dá novos
antídotos para abrir novamente os olhos
E se encontrar com uma nova alma, um
Novo raio de sol.
Pois não importa o quão
um momento pode ser triste,
um novo sol sempre aparece
Para amanhecer um novo dia, uma nova alma
E deixar para trás mais um dia.
Foi assim que aprendi a viver como as
flores e árvores
Pois sei que mesmo sendo triste perder pétalas
e folhas
Sei que são elas que nutrirão a terra,
para que
Novamente eu floresça.
Marcos Reis
marcos.reis@druidismo.com.br
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O Bardo
O coração do Bardo respondia
a um chamado
Nas distantes terras do Ulster sua habilidade era
requisitada
Sua razão era desconhecida, mas ao Bardo só
restava iniciar sua jornada
Caminhou então, em direção ao
norte, seguindo o desejo de seu coração
desesperado
Guerra e tristeza foi o que encontrou
Pois o coração dos homens clamava por
luta e vingança
E o sangue continuava a jorrar frente a tamanha matança
Ao chegar, depois de muito pesar, o Bardo não
acreditou
Seu coração alertou-o
sobre o fim de seu caminho
Nem jovem, nem velho, nem homem, nem mulher escapava
da guerra
Para ele era claro que era chegado o fim de uma era
Mas só o que fez foi pensar em todos com carinho
Sentou-se numa pedra e começou
a tocar e cantar
Ao fundo ouvia-se apenas as espadas e lanças
a ecoar
Sua música aumentou e com ela as batidas de
seu coração
Atingidos por tão sincera melodia, espada e
lança baixaram perante a canção
Depois de muito tempo, o clangor das
armas perdeu seu poder
As palavras do Bardo superavam o mais hábil
dos guerreiros
Todos caíram como que por um feitiço
que parecia nunca esmorecer
Sua canção aumentava cada vez mais,
mas apenas para encontrar mais e mais lugares em que
ela tivesse significado
E, bravamente, o Bardo entoava suas
histórias e instaurava a paz
Do interior do que seria a última chacina veio
a Luz
Dentro de um belo vestido azul estava a imagem capaz
de esmorecer o impeto do rapaz
Mas nem mesmo essa visão o fez desistir de
sua missão
De ao outros mostrar a compaixão mesmo que
para isso perdesse seu coração
E assim foi até que a última
das batalhas tivesse acabado
E seu valente coração o abandonado
Lá deitou o Bardo, nos braços daquela
que o convocara
Para que de suas palavras viesse uma nova era
Fábio M. Barrreto
obardo@terra.com.br
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Você
Dentro de ti, o vento que traz a chuva
E a força do fogo que queima a lenha
Em ti, a força que transforma o dia em noite
para encontrar o caminho
Fogo que aquece a noite fria
Ramos do carvalho que cantam ao vento
As raízes dos teus filhos e teus netos
As mãos de teus pais e avós
Forte como o mar e longo como a vida
Lembrança além da vida e da morte
Raiz que sustenta a vida
Cálida como vento que sopra em teu rosto
Brisa do mar na manhã sem sol
Sem rumo em uma ilha sem farol
Navega teu mar a tua procura
Ondas que te sustentam sem mar
Vida sem luz, sombras a sua volta
Conhece a noite para lembrar do dia
Não recenheces a rainha ?
A boca rota que vela a beleza
A força que não traz esperanças
Levanta e dança que a música não
te cansa
Pois ela te sustenta e você não a encanta
Sol no meio da noite
A Bruma é como o açoite
Brisa do mar na manhã sem sol
São teus olhos, não enxeragam além
deste Sol
Carlos E. Chicaroni
carlos.chicaroni@gmail.com
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Ideais
De sonhos e lutas vivemos!
Por nossas idéias, um dia morremos.
Por amor e esperança as terras se movem,
Pois nós a moldamos como nosso pensamento
Nossos anseios e verdades, crenças e milagres.
Pequeno nasce, crescemos e morremos.
Em busca de felicidade e de nós mesmos
Como uma pequena mantilha que cobre.
Quase toda extensão de nosso corpo
Mas que nunca é suficiente para nos cobrir...
Pois enxergamos apenas uma face...da
verdade
Sem nos dar conta de que o manto é extenso
e cálido...
Moldamos um mundo a nossa parca percepção
e crença
Sem nos darmos conta de que através de nós
Ele pode ser e é infinito.
Juliana Couto
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Eire
Terras de sonhos e lutas
Onde meu coração reside,
Em meio a suas lendas,
Minha alma reflete o brilho dos Deuses.
Contemplando suas paisagens
Algo em mim derrete,
Desperta, alerta a alma
Ao deleite aberta...
Por vezes de Mel... por vezes sangue.
Eire andando por ti me Perco.
E me perdendo me encontro.
Olhando o Liffey, vejo suas águas profundas
Refletindo meus anseios, e silenciosamente
Aguardo...
Cai a chuva, e ela lava o
Cais assim como minha angustia.
Gaivota grita, corvo crocita
E a luz se faz banhar,
A morada dos Deuses adiante
Faz meu corpo fraquejar
Diante da pedra dos Reis...
Me ajoelhar.
Vejo muitos ao meu redor
A cantar!
Música, poesia,
Inspiração a perpetuar, centenas de
anos passados
Sempre a continuar.
Na cidade dos reis, meu coração
acelera o compasso.
Para ver nos Cliffs o Mar,
na terra, dando um grande abraço.
Talhando em minha alma
Um laço.
No local onde o livro foi escrito
Comunga meu espírito com o antigo,
Sobre mim reflito, decifrando
Intrínseco labirinto.
Meus pés se movem por suas linhas
Que me levam a residências reais,
Contando histórias de amor
E lutas por ideais.
Chego à praia,
E meu tributo
Entrego.
O recomeço inicia,
No mesmo caminho
Que já percorria.
Com outros olhos,
Vejo tuas ruas
Com mais gosto te saboreio
De guapa menina, recebo amor e proteção
Troca mútua de alma e coração.
Conselhos amigos...
Deleito-me por olhos bonitos
Que com ternura faz
Sorver, desta terra, o mel.
E ao contemplar novamente os cisnes
de Lir
Vejo que foi embora
Todo Fel.
Juliana Couto
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Hoje
sou poeta
Hoje sou de novo poeta,
Canto aos quatro ventos
Os meus verbos enversados,
De saudade, de calor...
Hoje neste monte
Vejo a planície deserta,
Que preencho com palavras
Que crescem com as chuvas
Da minha elegância...
Hoje sou infância,
Que deseja o futuro
E não teme a idade,
Ofereço inocência...
Hoje sou demência,
Que treslouca a paixão,
Sou gente, sou tua...
Hoje sou tinta,
Que corre nas veias,
Em enleadas teias
De vida em ampulheta...
Hoje sou poeta, hoje sou.
Aline Martins
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Inspiração
Estende-se nos meus pensamentos
Uma manta de retalhos colorida.
Vejo-a. Gravada em pedaços de vida,
Um todo feito de momentos.
Se é rosto é beleza inocente.
Se é corpo é luxúria, tentação.
Se tenho sede é uma nascente,
Se tenho fome é pão.
Devolve-me uma ágil fluência
Se a folha quer ficar vazia.
É uma musa de emergência.
Chega de noite, chega de dia,
Ela é quem marca a cadência.
Se não vem…falta a poesia.
Aline Martins
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Escrevo?
Logo respiro
Que a vida só é verdade
Nos grandes atos de amor
E escrevendo, expondo a alma
Passa a raiva, chega a calma
E até o sono é melhor...
Escrevo e fico feliz
Por tudo o que aparece
Neste branco onde o matiz
Fala da vida, da dor
Das vielas do amor
Das veias da dor serena;
Escrevo e tudo me esquece
Tudo mais é acessório
Que o mundo só acontece
Nesse momento ilusório
Em que nasce O Poema!
O resto, pode ser luz
Pode ser água salgada
Pode até ser ribeirinho
A fazer o seu caminho
No tempo da enxurrada,
Mas não será mais que isso...
Acessório e mais nada;
Porque só o Poema importa
Só ele me abre a porta
À plena felicidade
Só ele tem o condão
De me levantar do chão
E de me dar liberdade!
Só ele traz a fragrância
que vive em mim e é distância
No mundo largo da vida
Só ele é paz e é calma
Doce bálsamo da alma
(pássaro de asa ferida).
E o Poema chegado
Não há tempo, nem pecado
Que não tenha remissão
Pode mesmo ser algema
Pode até ser escravidão
Mas é uma janela aberta
Na mente, sempre desperta
Porque é libertação;
Escrevo, logo respiro!
Escrever e respirar
São o mesmo para mim;
Não importa qual o tema
Respirar está no Poema
Como o Poema em mim!...
Aline Martins
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De amor
e Terra
De que raças sou, fui e serei?
De que cores e credos, de que sortes?
Quantas vidas vivi e viverei?
Morri e morrerei de quantas mortes?
Quantos amores e sonhos e esperanças
Quantos desesperos, quantas dores
Fui Mãe ou Pai, de que crianças?
E quantos os tormentos, os horrores?
Quantos filhos chorei, em tantas guerras?
Quantos filhos criei e fui feliz?
Quantos corpos, quantas águas, quantas terras
Toquei, beijei, amei e fui raíz?
E quantas vezes ainda, pra me dar?
Quantas vidas ainda a renascer?
Quantas bocas, ainda, pra beijar?
Quantas mortes, ainda, pra morrer?
Entanto, conformada, canto o fado
A sina, a missão, a dor que berra
E tenho mariposas a meu lado
Feitas, como eu, de Amor e Terra!..
Aline Martins
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O Amor é
Liberdade e Urgência
Que mistérios se enroscam
nas árvores da tua memória?!
Que delícias se perdem
nos musgos da tua alma?
Que mariposas brancas
andarão saltitando
de girassol em girassol
no jardim da tua existência?!
Cada vida um jardim
tantas vezes sem flores
ou um barco sem remos
ou um rio sem pontes...
e se o caudal é forte,
como atravessá-lo?
Melhor ficar olhando
e sonhando
na outra margem
e viver, imaginando
como seria esta vida,
ambos, do mesmo lado do rio...
a magia das palavras
no entanto,
transporta-nos além,
dos rios sem pontes
cujas margens se desvanecem,
como a névoa,
quando o sol acorda...
e não importa o que somos
nem como somos,
o que amamos ou desejamos
porque só o amor importa:
o amor e nada mais!
E o AMOR, com maiúsculas
não precisa de pontes,
porque dentro dele
tudo é existência
tudo é ser e não ser;
o AMOR, precisa somente
do seu jardim interior
dos seus girassóis de segredos,
das suas mariposas brancas de esperanças,
dos seus musgos de recordações,
para existir e nos fazer felizes!
Abençoado AMOR
prenhe de vivências,
que nos faz amar serenamente
"amar, só por amar, como diria "
a um, a outro, a muitos, esta, outra
e muitas outras vezes,
de modo igual e a cada um diferenciadamente
mas com a mesma intensidade.
Por isso é urgente a Liberdade
como o AMOR é urgente!...
.Aline Martins
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Ancestralidade
Ancestralidade Machuca
ou dói!
dói ter ancestrais, porque dói?
dói pois sou humana,
e como humana venho a vocês, nem melhor nem
pior,
nem mais vivida, nem mais sábia, taõ
pouco digna de dar conselho,
dói ser humano, e sei que sou humana porque
chorei,
chorei por uma memória que não
tinha,de uma dor que eu escolhi não sofrer,
e conto-lhes agora,
não sei se sou mais humana agora, sentada escrevendo,
do que ha 1 hora, enquanto chorava pela primeira vez
a dor que alguém que eu perdi há quase
duas décadas,
pessoas vão e vem, livros nos
dizem para olharmos nossa linhagem materna,
pouco importam os livros agora, pois o que dói
hoje é uma perda na linhagem paterna.
pessoas vão e vem, vem e criticam, porque como
humanas querem ajudar
um dia alguem me disse que eu chorava
demais, então, como criança tola, aos
11 anos
decidi não chorar, e no mesmo ano ouvi "é
fria! nem chorou a perda da avó!", tambám
ouvi por dentro, mas tentei provar que era adulta,
e não humana...oras,afinal, adulto não
chora.
...e enquanto isso meu pai chorava.
hoje chorei, chorei pela minha avó
que perdi, e por ela rememorei.
remomerei minha última visita, ainda criança,quando
decidi que algo estava errado e não quis entrar
no quarto de sua casa, onde ela estava...
e meu pai disse, "pode ser a ultima vez"...e
eu nem sabia que poderia.
entrei, penteei seus cabelos, prata,
que iam até a cintura,
cherei seu perfume, deitei em seu colo, corri pelo
quarto, alegre, como se nada fosse acontecer.
mas ia, e todos sabiam, menos minha alma criança,
que só sentia aquele pesar branco ao meu redor
e
olhos cheios de lágrimas e eu nem sabia porque.
PORQUE?
Porque poderia ser a ultima vez.
ancestralidade dói, dói
e machuca, para nos lembrarmos que somos humanos
que um dia alguém penteará nosssos cabelos,
brancos ou não, sentirá nosso cheiro,
e se lembrará de nós com lágrimas
rolando pelo rosto, como crianças que somos.
.Aline Martins
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