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Ipê Amarelo
No final do século XIX, com
a proclamação da república, houve
uma tentativa de fazer chegar até a população
a nova forma de governo, pois os movimentos republicanos
estavam ligados a elite econômica.
Foram criados vários símbolos,
que pudessem expressar a pujança da nova fase
político administrativa do país, e incrementar
um imaginário ligado às questões
de civismo e amor a terra. Foram criados neste período,
a nova bandeira, o brasão republicano, incentivaram-se,
a procura junto à fauna e flora de símbolos
que representassem de forma imagética as potencialidades
da terra e as riquezas do país.
Um destes símbolos escolhidos
ligados a flora, foi a árvore, conhecida popularmente
por Ipê Amarelo, esta escolha foi realizada,
pois a árvore tinha características icônicas
próximas às cores escolhidas para representar
o país nos outros símbolos, especialmente
o verde-amarelo. Acrescenta-se a árvore floresce,
em época de seca, quando o céu, especialmente
na região sudeste do país, se encontra
sem nuvens, com uma coloração azul celeste
luminosa.
A escolha desta árvore, embora
seja uma criação das forças políticas
republicanas, visando uma maior divulgação
de seus projetos políticos, pode ter seu significado
aprofundado e estendido além destas significações.
O Ipê se caracteriza
por marcar nitidamente os ciclos sazonais do Brasil,
especialmente no sudeste Brasileiro. E, portanto, ele
pode ser utilizado como símbolo do ciclo da vida
e das mudanças de estações.
O neodruidismo se caracteriza por uma
abordagem ligada às Espiritualidades da Terra,
ou Tradições Ecológicas de Sabedoria,
e, portanto, venera e respeita toda a criação,
especialmente simbolizada pelas árvores.
Assim o Ipê Amarelo, pode ser
considerado, como uma de nossas Árvores Sagradas,
e representar a Rede Druídica Brasileira, haja
visto, que faz parte de nossa história, e já
inserido no imaginário popular representa a Árvore
símbolo do Brasil. Mas, ele, particularmente,
nos ensina a perceber as mudanças das forças
da Terra e nos abrirmos às personalidades das
estações que são celebradas pela
Roda do Ano.
O ciclo do Ipê segue, a seguintes
características sazonais: verão: nascimento
das folhas e brotos; outono: caída das folhas;
inverno floração; primavera: maturação
das sementes e semeadura.
Esta característica do ciclo
botânica da árvore poderá servir
de símbolo para a vivência existencial
dos ciclos da natureza. Pois a vida humana, a partir
da perspectiva pagã, deveria estar ligada
às forças do planeta para que se chegar
ao equilíbrio e sabedoria: Nascimento, crescimento,
floração criativa de projetos e realizações,
são frutos de uma vida aberta à fecundidade
inspiradora e criativa do Espírito que, no seu
eterno fluir, renova e faz novas todas as coisas.
BENÇÃO DO IPÊ
Nutre sua fome das entranhas das terras do cerrados.
Sua pele retorcida lembra das batalhas vencidas em nome
da vida e da permanência.
Traz em suas cascas rugosas a sabedoria de muitas experiências.
Abre-se como criança faminta ao leite fecundo
das épocas chuvosas.
Nutre no caldeirão dos renascimentos e se renova
com o verde de todas as nossas florestas.
A noite outonal lhe chama para o repouso e o silencio
meditativo.
Despe de suas roupas, e se coloca nua às forças
da gestação.
Quando todos ainda dormem, desperta, sorrindo: risos
amarelos emoldurados de céus azuis.
Os olhares de todos encontram em suas cores
as esperanças de matizes diversas que a donzela
primaveril trás em seu ventre.
Abençoada sejas: Ipê Amarelo.
Mãe Tabebuia Áurea
Senhora sempre antiga e nova.
Abençoadas sejas, pois sabes quando florescer
e quando adormecer.
Abençoadas sejas, pois sabes acolher e doar nos
tempos certos.
Que seu Espírito nos ensine sempre a estar imersos
na dança cíclica das estações
em Terras de Pindorama!
Marcelo Cuchulainn
creator@netsite.com.br
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