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Ser Celta
Há quem diga que ser celta não
envolve necessariamente ter uma ancestralidade celta,
assim como para ser cristão não é
preciso ter nascido na Galiléia. Igualmente,
não é preciso ter nascido no Tibete para
ser budista ou ter sangue árabe para ser muçulmano.
Concordo. Mas, então o que é ser celta?
De uma forma, ser celta é ver o mundo com outros
olhos, respeitando-o, fazendo dele uma extensão
de sua própria existência; é ver
a si mesmo com outos olhos, fazendo de si mesmo uma
extensão do mundo à nossa volta. Ser celta
é reconhecer a importância dos nossos ancestrais,
que andaram por essas colinas e vales muitas gerações
antes de nós; é não aceitar esta
vida como uma provação, mas sim como um
prêmio, um tesouro a ser desfrutado. É
ver o mundo, a matéria, como um dom que os deuses
nos deram, e não como um fardo, ou algo negativo
a ser negado. Ser celta é viver intensamente,
é vencer desafios, é cantar quando um
ente querido morre, é ver a morte como amiga
sem desejá-la, é apreciar as curvas ao
invés das retas, o infinito ao invés dos
limites. Ser celta é compreender que ninguém
nem nada é perfeito, e que é justamente
aí, nessa imperfeição e imprevisibilidade,
que reside a grande magia da vida. Ser celta é,
no fim das contas, SER HUMANO.
CLAUDIO CROW QUINTINO
c) 2002, Claudio Quintino (Crow) - Publicação autorizada.
Originalmente publicado no site www.heramagica.com.br - registrado na Biblioteca Nacional. Respeite a Lei dos Direitos Autorais.
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