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A Canção de Amairgin

Eu sou o vento sobre o mar,
Sou uma onda do oceano,
Sou o rugido do mar,
Sou um boi dos sete exílios,
Sou um falcão num penhasco,
Sou uma lágrima do sol,
Sou uma curva num labirinto,
Sou um javali em bravura,
Sou um salmão numa lagoa,
Sou um lago numa planície,
Sou uma força a distribuir-se,
Sou o espírito do dom da habilidade,
Sou uma folha de grama a oferecer à terra matéria decomposta,
Sou um deus da criação a oferecer inspirações.

Quem mais limpa as pedras da montanha?
Quem é que declama o nascer do sol?
Quem é que diz onde o sol se põe?
Quem traz o gado da casa de Tethra?
Sobre quem sorri o gado de Tethra?
Quem é este boi?
Quem é o deus tecelão que remenda a palha dos ferimentos?
O encantamento de uma lança.
O encantamento do vento.

Versão da Canção de Amairgin in: MATTHEWS, Caitlín & MATTHEWS, John. The Encyclopedia of Celtic Wisdom: a Celtic Shaman’s Sourcebook. London: Rider, 2001.


* Amairgin, filho de Mil Espáine, era um poeta dos Milesianos, às vezes mencionado como tendo sido o primeiro poeta da Irlanda. Quando os invasores Milesianos encontraram as três deusas epônimos da Irlanda - Ériu, Banba e Fódia - Amairgin respondeu ao pedido de Ériu para que a Irlanda fosse nomeada em sua homenagem. O poema acima foi composto no momento em que ele colocou os pés na Irlanda, e por esse fato diz-se que Amairgin teria introduzido a poesia lírica. (in: MACKILLOP, James. Dictionary of Celtic Mythology. Oxford: OUP, 1998)


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