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História da Princesa Ethlinn, seu pai, o Rei
Balor e Kian e a chegada de seu filho, Lugh
Do livro “Myths of the Celtic
Race”
Por Peter Pehrson
Diz a história que Balor, o rei Fomoriano, ouviu
em uma profecia druídica que seria assassinado
por seu neto. Sua única filha era uma menina
chamada Ethlinn. Para impedir sua destruição,
o rei, assim como Acrisios, pai de Danae no mito grego,
aprisionou-a em uma alta torre que ele mandou construir
em um cabo escarpado, o Tor Môr, em Tory Island.
Ele colocou a garota sob os cuidados de doze aias, incumbidas
de evitar com rigor que ela visse um homem, ou sequer
soubesse da existência de seres de outro sexo
que não o dela própria. Foi nessa reclusão
que Ethlinn cresceu, como todas as princesas isoladas,
tornando-se uma donzela de insuperável beleza.
Mas ocorre que havia no continente três irmãos,
a saber, Kian, Sawan e Goban, o Ferreiro, o grande armeiro
e artífice da mitologia irlandesa, que corresponde
a Wayland Smith nas lendas germânicas. Kian possuía
uma vaca mágica, cujo leite era tão abundante
que todos queriam possuí-la, e ele tinha que
mantê-la sob rigorosa proteção.
Balor estava determinado a possuir essa vaca. Um dia,
Kian e Sawan haviam ido à ferraria para encomendar
algumas armas, levando com eles aço de ótima
qualidade para esse fim. Kian entrou na ferraria, deixando
Sawan encarregado da vaca. Balor apareceu, tomando a
aparência de um garotinho ruivo, e disse a Sawan
que ouvira os irmãos na ferraria tramando um
plano para usar todo o bom aço em suas próprias
espadas, deixando apenas metal comum para a espada de
Sawan. Este, muito furioso, deu o cabresto da vaca ao
menino e correu para dentro da ferraria para pôr
fim a essa abominável conspiração.
Balor levou a vaca embora imediatamente, e arrastou-a
pelo mar para Tory Island.
Kian estava decidido a se vingar de Balor, e para
isso buscou o aconselhamento de uma druidesa chamada
Birog. Vestido como uma mulher, ele foi levado por um
encantamento mágico através do mar, onde
Birog, que o acompanhava, fez com que eles aparecessem
para as guardiãs de Ethlinn como se fossem duas
nobres senhoras que haviam sido lançadas na costa
enquanto fugiam de um seqüestrador, e imploraram
por abrigo. Foram aceitas; Kian encontrou uma forma
de ter acesso ao local onde estava a Princesa Ethlinn,
enquanto as aias foram enfeitiçadas por Birog,
que lançou sobre elas um encantamento do sono,
e quando acordaram, Kian e a druidesa haviam desaparecido
da mesma forma que vieram. Mas Ethlinn havia dado seu
amor a Kian, e logo suas guardiãs perceberam
que ela estava grávida.
Temendo a ira de Balor, as aias convenceram-na de
que todo o acontecido fora apenas um sonho, e não
disseram nada sobre o assunto, mas no tempo esperado
Ethlinn deu à luz três filhos.
A notícia chegou a Balor e ele, furioso e aterrorizado,
mandou que as três crianças fossem afogadas
em um redemoinho para além da costa irlandesa.
O mensageiro encarregado de cumprir a ordem enrolou
as crianças em um lençol, mas enquanto
as carregava para o local determinado, o alfinete do
lençol se soltou, e uma das crianças caiu
em uma pequena baía, chamada até hoje
Port na Delig, ou o Porto do Alfinete. Os outros dois
foram afogados, e o servo informou que havia cumprido
a missão.
Mas a criança que caíra na baía
foi encontrada pela druidesa, que a levou à casa
de seu pai, Kian, e Kian a enviou para ser criada por
seu irmão, o ferreiro, que ensinou à criança
o seu ofício e o treinou em toda forma de arte
e trabalhos manuais. Essa criança era Lugh. Quando
ele se tornou um jovem, os Danaans o enviaram a Duach,
"O Escuro", Rei da Grande Planície
(Terra das Fadas, ou a "Terra dos Vivos",
que é também a Terra dos Mortos), e lá
ele viveu até chegar à idade adulta.
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