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Benção
do Ipê

Foto: Dorival
Moreira
Nutre sua fome das
entranhas das terras do cerrados.
Sua pele retorcida lembra das batalhas vencidas em nome
da vida e da permanência.
Traz em suas cascas rugosas a sabedoria de muitas experiências.
Abre-se como criança faminta ao leite fecundo
das épocas chuvosas.
Nutre no caldeirão dos renascimentos e se renova
com o verde de todas as nossas florestas.
A noite outonal lhe chama para o repouso e o silêncio
meditativo.
Despe de suas roupas e se coloca nua às forças
da gestação.
Quando todos ainda dormem, desperta, sorrindo:
risos amarelos emoldurados de céus azuis.
Os olhares de todos encontram em suas cores as esperanças
de matizes diversas que a donzela primaveril traz em
seu ventre.
Abençoada sejas: Ipê Amarelo.
Mãe Tabebuia Áurea
Senhora sempre antiga e nova.
Abençoadas sejas, pois sabes quando florescer
e quando adormecer.
Abençoadas sejas, pois sabes acolher e doar nos
tempos certos.
Que seu Espírito nos ensine sempre a estar imersos
na dança cíclica das estações
em Terras de Pindorama!
Marcelo Cuchulainn
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