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Brasil Druídico

Tradições Brasileiras e Semelhanças com as Tradições Druídicas

Brasil. Em nenhum lugar do mundo pode se falar em paganismo sem que esta terra seja incluída, não só por belezas naturais que existem neste país, mas por sua fauna e flora exuberante, pelos espíritos e deuses que aqui vivem, ou por tudo isso junto. Neste texto trataremos de nossas crenças nativas, um pouco do Brasil indígena que muito se iguala aos povos celtas.

Druidismo e Xamanismo Brasileiro

O nascimento de uma criança em tribos brasileiras é cercado de vários rituais de boas vindas e proteção e, a partir do nascimento, mais uma alma se inclui àquela tribo. Todos na tribo eram, a partir do nascimento, responsáveis pela educação do novo ser, não apenas os pais biológicos. Interessante, pois tribos celtas também possuíam estas características: uma criação mais completa voltada à comunidade, enriquecendo o conhecimento e mantendo tradições para o futuro, conhecendo cada família e carregando suas existências passadas e sua honra aos ancestrais.
As tribos brasileiras possuíam pelo menos um bari ou pajé, como é mais conhecido. Este possuía uma ligação direta com as divindades, era muito sábio e eleito pela própria Natureza por suas ligações com ela. Possuía dons de cura, de predizer o futuro, podia se transformar em animais e seus conselhos eram seguidos por todos na tribo. Isto lhe dava uma posição de líder tribal. Podemos notar estas mesmas características nos druidas dos povos celtas – que muitas vezes tinham mais poder que o próprio rei, além dos dons de cura, divinação, etc. Lembrando que não é uma exclusividade masculina, mas também feminina, já que também existiam druidesas e pajoas.

O que dizermos então dos aroé etawára are que, semelhantes aos bari, relacionam-se com os antepassados a ponto de os próprios ancestrais o elegerem para pajé. Podemos notar que o culto à ancestralidade também é existente no Brasil tanto quanto era entre os celtas. O renascimento, a existência dos pós-morte e esta morte encarada como parte natural da vida e não final da vida é uma característica encontrada entre índios brasileiros e povos celtas.

Vemos em nossos nativos uma relação profunda e íntima com a Natureza, fazendo-se parte dela e estando com ela. Notamos isso facilmente, pois o Índio vive da agricultura, caça, pesca e da coleta, mas tudo perfeitamente equilibrado com a Natureza. Equilíbrio entre o Ser, Meio Ambiente e Divindades. Percebemos esta importância quando vemos que para não haver esgotamento dos recursos naturais de uma área, as tribos mudavam de lugar ou se dividiam para que a Natureza se revitalizasse naquele espaço novamente, garantindo aos que viriam uma vida plena também. Podemos observar as mesmas características também nos povos celtas que trabalhavam a terra com respeito e fazendo parte dela, como também o costume de dividir a tribo e migrar para não se esgotarem os recursos naturais de onde viviam.

Naturalmente os celtas eram também ótimos guerreiros. E guerras, aqui no Brasil, também existiram. Para ambos a guerra tinha seu valor, era uma atividade nobre que o guerreiro usava para demonstrar seu valor, proteger suas tribos e suas fontes de alimento. Em sua maioria essas guerras aconteciam nos litorais brasileiros, dominados pelos tupinambás, que expulsaram muitas outras tribos para o interior do Brasil.

Nos tempos que se seguiram após o descobrimento, se travava o contato entre o homem branco ocidental e as tribos nativas brasileiras. Com o tempo o espaço do Índio foi sendo dominado e sua cultura abafada. O Índio virou estatuto e suas vidas se tornaram dependentes de assinaturas e ordens. Os celtas também foram dizimados por quase toda Europa pelo Império Romano, e depois pelo advento do cristianismo.

Mas a Terra fala, ou melhor, grita, e nossas raízes são profundas suficientes para trazer novamente o gosto de ver florescer um Brasil melhor, mantendo vivas as tradições nativas, enriquecendo a cultura brasileira, tornando mais íntimo nosso contato com esta terra maravilhosa e suas tradições. Respeito e dignidade. Dar e receber. Agradecer e aprender.

Marcos Reis
Caer Piratininga
marcos.reis@druidismo.com.br

Obs.: As Tribos estudadas para a elaboração deste texto foram as dos Tupinambás, Tupis, Guaranis e Bororos


 


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